quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

O “Ás” da morte - conto de suspense de Marcelo Gomes, com a detetive Louise Bonnet em ação

 

Imagem Google


O expresso 158 saiu de Paris às 18h15 min com destino a Londres, era um trem moderno e com capacidade maior de passageiros, chamado de 'o trem com asas’ por sua velocidade de alcançar maiores distâncias em menos tempo que os trens normais.

O trem era composto de seis vagões, com um deles era de classe executiva, com um restaurante, acessível somente à classe A. O restaurante tinha um chef de cozinha e um garçom, além do carregador de malas.

Dez personalidades distintas embarcaram na classe executiva, a dama da ópera, hoje aposentada, Lina Facite e sua criada Mahara, uma indiana muito bonita e jovem.

O primeiro ministro Frances Henri Mallet, o dono de um dos maiores bancos de Londres.

Thomas Brown e seu contador Ethan Smith, o fabricante de armas Frances Oliver Lohan, com sua mania de toque, trazia seu copo e talheres onde fosse e sempre tinha um lenço à mão - tinha um sério problema com germes -.

O senador Adam Roy e seu assistente Luís Martin ambos franceses e o casal de cantores de ópera Mirella Caruso e seu marido Enzo Caruso, que iriam se apresentar em um evento de ópera em Londres e todos os passageiros da classe executiva foram convidados, era um evento beneficente organizado pelo governo de Londres e iria angariar fundos para a construção de um orfanato para jovens de rua.

O casal Caruso iria se apresentar no evento cantando algumas canções de óperas famosas, Mirella estava bem apreensiva, pois nunca tinha se apresentado, com todo o aparato que uma ópera exige, mas seu marido a acalmou dizendo que tudo iria dar certo.

A dama da ópera Lina Facite estava insatisfeita com o tamanho de sua cabine, apesar da viagem ser rápida, menos de 5 horas, exigia que sua cabine tivesse duas camas, pois estava acompanhada de sua criada.

- Como vou dormir em uma cama confortável e deixar minha criada ficar com o sofá, quero trocar de cabine.

- Madame as dez cabines estão ocupadas, não tenho o que fazer a respeito. - Vou fazer uma reclamação com a companhia quando chegar a Londres.

- A senhora tem todo direito, me desculpe pelo incômodo e se precisar estou à disposição, passar bem.

Oliver lohan encontrou o senador Adam e o convidou para tomar uma bebida no restaurante a fim de colocar o papo em dia.

- Me diga senador como vai a política em seu país?

- O de sempre meu amigo, o povo nunca está satisfeito com os rumos que o país segue, sempre tem algo a reclamar e você continua fabricando armas?

Os dois se conhecem há muito tempo, Adam uma vez encomendou uma pistola alemã personalizada de Oliver, até hoje não sai de casa sem ela.

- Sim é meu ganha pão, e por falar nisso aquela sua pistola alemã que fiz sob encomenda ainda a carrega junto?

- Com certeza a aonde vou ela está comigo. Tirou de seu bolso e mostrou a bela arma para Oliver.

- Com certeza é um dos meus melhores trabalhos até agora.

- Concordo com você e valeu cada centavo gasto. Louis apareceu de repente e alertou o senador que deveria repassar seu discurso para o dia da ópera.

- Senador com licença, precisamos repassar seu discurso e acertar alguns detalhes.

- Bem lembrado meu amigo, você lembra-se do meu assistente Louis Martin? Ele está comigo há pouco tempo, mas é um profissional exemplar, preciso me retirar meu amigo até breve.

- Mais tarde continuamos nossa conversa senador.

O primeiro ministro Frances Henri Mallet sentou-se em uma mesa e pediu ao garçom um taça de vinho, era um profundo conhecedor de vinhos e sócio de uma vinícola na Itália, muito reservado, mas de bom papo. Em outra mesa mais afastado estava Thomas Brown e seu contador Ethan Smith, ambos conversavam a respeito da economia atual e seu impacto nos lucros de seu banco.

- Ethan você anotou tudo que foi dito na reunião?

- Sim senhor sem esquecer-se dos pingos nos 'is'.

- Você reparou naquela mulher velha e arrogante que não parava de falar em cláusulas, esse advogados são como baratas que você mata uma aparecem mais dez.

- Sim senhor, eu concordo plenamente. Hoje em dia não podemos confiar nem em nossa sombra, não sei se fiz um bom acordo com essa fusão com o banco francês, somente o tempo dirá. Pelos meus cálculos o senhor vai ter um aumento de sua receita em 80% nos próximos seis meses.

- É uma boa notícia Ethan e espero que você esteja certo, vamos tomar um conhaque para comemorar.

O chef de cozinha anuncia que o jantar será servido às 8 horas em ponto. Madame Lina e sua criada entram no restaurante e se sentam em uma mesa perto do primeiro ministro Frances, ele acena com a cabeça cumprimentando-as, Lina sorri e o cumprimenta com um aceno de mão, ela está preocupada com o que será servido no jantar, ela não come carne vermelha e não gosta de comida muito temperada, já sua criada é o contrário, adora sabores picantes. Acenou para o garçom vir à sua mesa;

- Me diga meu jovem, o cardápio de hoje inclui algum tipo de carne branca? Perguntou.

- Sim senhora tem salmão com batatas e salada verde, ou se preferir também tem frango assado com batatas e cenouras douradas e cozidas a vapor.

- Eu vou querer salmão, mas não muito temperado, pois tenho gastrite e para minha criada pode ser o frango.

- Sim senhora, está anotado seu pedido, a senhora quer algo para beber por enquanto?

- Pode me trazer uma taça de champanhe e um suco de laranja para a minha criada.

- Em um minuto senhora, com sua licença.

- Boa escolha disse o primeiro ministro, se dirigindo a Lina.

- Sou uma mulher refinada e tenho que manter meu organismo equilibrado, não sou mais jovem para abusar de certas comidas, tenho gastrite.

- Posso me sentar com vocês se não for incomodo? Perguntou Henri.

- Mas é claro que sim, não é incomodo algum, me chamo Lina Facite e essa é minha criada Mahara, ela é da índia e não fala muito bem o inglês.

- E sei quem a senhora é, famosa cantora de ópera na Itália e dona de uma bela voz, sou o primeiro ministro Frances Henri Mallet, muito prazer!

- Eu que tenho o prazer de conhecer o senhor, e muito obrigado pelas palavras, mas há muito minha voz se perdeu e hoje sou uma admiradora dos novos talentos, como a jovem que vai cantar amanhã chamada Mirella Caruso e seu belo marido e ótimo cantor.

- Sim eu os conheço também, formam um belo casal e ótimos no palco, quando estão juntos, a senhora está morando na Itália?

- Não meu querido, hoje vivo na França, meu falecido marido era Francês e sua família vive toda na França, como sou uma pessoa sozinha resolvi me mudar para perto deles e trouxe minha criada junto.

- É um belo país para se viver, assim como a Itália também. Mas sua origem é italiana ou estou enganado?

- Sim o senhor está certo sim, meu pai era italiano e minha mãe é de Portugal, ambos se conheceram em uma viajem de negócios na França, se apaixonaram e aqui estou eu. Começou a rir de si mesma.

- Uma bela história, assim como a sua na arte de fazer música.

- Com certeza eles foram bons pais e me deram a melhor educação de todas, que descansem em paz.

Oliver se levantou de sua mesa e foi até sua cabine buscar sua bolsa de utilidades, nela continha um copo e duas taças, além de talheres e muitos guardanapos, voltou e se sentou em sua mesa colocando o copo em cima de um guardanapo.

- Garçom me traga uma garrafa de conhaque e não precisa de copo, eu já trouxe o meu.

Problemas no caminho



O trem de repente começou a frear e todos ficaram preocupados temendo por algo pior, aos poucos ele foi parando, certo silêncio tomou conta do ambiente. O primeiro ministro olhou pela janela e viu o maquinista indo em direção aos trilhos.

- Acho que aconteceu algo com o trem, acabei de ver nosso condutor saindo em direção aos trilhos.

Todos se levantaram para olhar pela janela, Lá fora estava frio e pequenos flocos de neve começavam a cair, pois estava no inicio do inverno e a noite prometia ser de muito frio.

- Eu vou lá fora dar uma olhada. Disse Henri.

Todos resolveram segui-lo menos Oliver, que resolveu ficar bebendo sozinho. Lá fora o frio era intenso e a neve caia deixando o chão escorregadio, o condutor do trem estava parado em frente a um galho enorme de uma arvore que havia caído devido o vento forte de inverno. Lina achou muito frio e resolveu voltar para sua cabine e se aquecer, sua criada a acompanhou, no caminho encontrou Mirela e Enzo.

- O que aconteceu lá fora madame? Perguntou Enzo.

- Um pequeno acidente, parece que uma árvore caiu e um dos galhos esta sob os trilhos.

- Eu vou até lá tentar ajudar, mas você fique na cabine Mirella está muito frio lá fora.

O senador Adam e seu assistente resolveram seguir Enzo sem saber o que realmente estava acontecendo.

- Mas que frio dos infernos. Disse Adam.

- Acho melhor o senhor voltar para sua cabine senador.

- Que nada você acha que sou criança, eu aguento esse frio e se for preciso fazer algo para esse trem funcionar novamente eu farei.

- Como podemos ajudar senhor? Esse galho é enorme e vai precisar de no mínimo uns três homens para tirá-lo dos trilhos.

- É mais fácil cortar e depois tirá-los, tenho machados na área de carga do trem, qual seu nome senhor? Perguntou o condutor.

- Me chamo Henri, sou o primeiro ministro da frança em que posso ajudar.

- O senhor poderia pedir para Jimmi o garçom para pegar os machados na área de carga e traze-los até aqui? E peça para ninguém mais descer do trem, obrigado.

O senador voltou ao trem e passou o recado para Jimmi. Oliver continuava bebendo sem se importar com nada, parecia já estar bêbado e mal conseguia abrir os olhos. Os dois voltaram para a rua com dois machados em mãos.

- Pronto senhor, aqui estão os machados, vou começar a cortar perto da base e o senhor corta do outro lado, depois revezamos com os outros, está muito frio e precisamos nos aquecer antes que todos congelem nesse frio.

- Eu vou voltar e pegar um casaco para o senhor senador, disse Louis.

- É uma boa ideia meu amigo.

Louis entrou na cabine e pegou um pesado casaco de peles para o senador, mas quando iria sair olhou em direção ao restaurante e viu Oliver debruçado sob a mesa, resolveu ir até lá ver se ele estava bem. Chamou pelo nome e bateu em seu ombro, mas ele não respondeu, olhou para seu rosto que estava de lado sob a mesa e notou que seus olhos estavam abertos e de sua boca saia uma espuma branca. Tocou no seu pescoço e não sentiu sua pulsação, ao lado do copo havia uma carta de baralho era um ÁS de ouros, sem tocar em mais nada saiu correndo em direção aos outros na rua. - O que foi que aconteceu Louis? Parece que viu um fantasma... disse o senador.

Louis tentava recobrar o fôlego ao entregar o casaco para o senador.

- Senhor é Oliver, fez uma pausa, acho que ele está morto senhor.

- Morto? Como assim? Como você sabe que ele está morto?

- Ele está caído sob a mesa e não tem pulso, seus olhos estão abertos e de sua boca saiu um liquido espumoso.

- Meu Deus deve ter sido um ataque do coração! Pobre homem!

Após avisar o condutor e a todos sobre o ocorrido, Adam correu para o restaurante para ver se era verdade que seu amigo estava morto.

- Luís tinha razão, ele está morto, disse Henri.

Os outros passageiros começaram a entrar, mas não acreditavam que aquilo estava acontecendo.

Manny, como era chamado o condutor, pediu para ninguém mexer no corpo, em seguida mandou Jimmi ir até a classe econômica verificar se havia algum policial entre os passageiros. Jimmi entrou no primeiro vagão e já foi perguntando entre os passageiros, mas ninguém respondeu até que um homem ao fundo disse algo que chamou sua atenção.

- Eu vi uma mulher se identificando na estação, quando cheguei, ela dizia ser uma detetive e está no próximo vagão se não me engano. Jimmi correu até o segundo vagão e começou a falar em voz alta à procura da tal detetive.

- Alguém aqui é da policia? Se for se identifique temos um problema na classe executiva.

Uma mulher loira de meia idade se levantou e foi em direção a Jimmi.

- Oui monsieur, Louise Bonnet, detetive da polícia francesa, em que posso ajudar?

- Graças a Deus que você está aqui senhora, temos um problema no restaurante, falou baixo em seu ouvido, um dos passageiros está morto.

- Hum, oui então vamos até lá e veremos o que posso fazer a respeito.

Louise chegou ao restaurante e notou que todos estavam em volta do corpo, com um gesto de mão mostrou sua identificação e todos se afastaram.

- Vocês não me conhecem, meu nome é Louise Bonnet, detetive da policia francesa, qual o nome do nosso cadáver? Perguntou.

- Oliver Lohan, fabricante de armas, é de Londres, mas mora em Paris.

- Hum, interessante isso, um homem que gosta muito de armas tem tendência a se machucar um dia, só que nosso amigo aqui foi, além disso.

- Quem encontrou o corpo?

- Fui eu madame, disse Louis.

- E por falar nisso, lembrei que estamos parados no meio do nada, o que está acontecendo além desse nosso amigo aqui estar morto?

- Estamos com um problema nos trilhos madame, mas já está sendo resolvido.

-Oui monsieur, mas me diga rapaz você mexeu no corpo, ou em algo em volta dele?

- senhora a única coisa que fiz foi ver se tinha pulso, não toquei em mais nada.

- Fez bem meu jovem, uma cena de crime contaminada muda tudo, mas quem falou em crime aqui? Sorriu. Deixe me ver se minha teoria está certa, olhos abertos e boca espumando, mas nenhum membro contraído indicando que não foi um ataque cardíaco, só para esclarecer a vocês, que quando alguém tem um mal súbito geralmente o corpo se contrai por causa da dor, e esse não é o nosso caso. E essa carta aqui já estava aqui quando o senhor chegou?

- Sim senhora, disse Louis.

- Hum... Hum, ÁS de ouros muito suspeito isso, o ÁS de ouro no tarô significa alquimia e podemos dizer que leva a outro patamar de investigação, nesse caso acho que ele foi envenenado senhores e pode estar nesse licor, quem serviu ele nesse meio tempo.

- Fui eu senhora, sou responsável pelo atendimento no restaurante, mas posso garantir que a garrafa estava lacrada quando a peguei.

- Hum, isso me leva a outro fato interessante, se o veneno não está no licor, então está no copo, certo cavalheiros?

- Madame o copo é do próprio falecido, ele tinha problema com germes por isso trazia seus utensílios, onde fosse, disse o senador Adam.

- Oui, interessante isso, quer dizer que alguém pode ter entrado em sua cabine na sua ausência e administrado o veneno em volta do copo, provavelmente arsênico ou cianureto, mas não tenho como comprovar isso nestas condições, cavaleiros precisamos levar o corpo até sua cabine e depois vou ter que interrogar cada um de vocês. Louise pegou a carta e colocou no seu bolso.

- Levem a garrafa e o copo junto, mas peguem com um lenço sem deixar digitais.

Louise Bonnet investiga (uma carta na manga)



- Preciso conversar com você Jimmi e seja o mais claro possível, você matou Oliver Lohan?

Louise estava sentada em uma das mesas de frente para Jimmi e seu olhar era de suspeita e ao mesmo tempo de deboche.

- Não senhora, não fui eu, com toda certeza e além do mais eu não conhecia este homem, não teria motivos para matá-lo.

- Você notou algo suspeito de alguém nesse meio tempo? Ele ficou o tempo todo sozinho ou conversou com alguém?

- Quando chegou veio direto para cá com o senador, conversaram um pouco e até uma arma foi mostrada em público senhora, acho que pertencia ao senador.

- Uma arma... mas que tipo de arma? Perguntou Louise.

- Uma pistola senhora, tinha o cabo dourado com uma letra e foi o que pude ver.

- Uma arma no trem em posse de um civil, interessante Jimmi.

Louise começou a bater os dedos na mesa fazendo barulho com suas unhas longas e vermelhas.

- Jimmi me faça um favor e chame o senador para mim, obrigado.

- Sente-se senador e fique à vontade, me diga monsieur que tipo de ligação o senhor tinha com nossa vítima?

- Eu conheço Oliver há muitos anos, ele me foi apresentado em uma festa logo que fui eleito senador, no inicio fiquei meio intrigado pelo fato dele ser um fabricante de armas, já que minha política é antiarmas nas ruas, mas depois se mostrou uma pessoa agradável e muito inteligente, tirando sua mania obsessiva com germes, no mais era um bom amigo.

- O senhor não teria motivo algum para matá-lo ou saberia se ele tinha algum inimigo?

- De jeito nenhum eu mataria meu amigo e inimigos todos nós temos nessa vida, mas não me lembro de ninguém especifico que poderia querer fazer mal a Oliver.

- Agradeço pelo seu tempo senador, o senhor poderia pedir para o primeiro ministro vir até aqui por gentileza.

- Claro que sim, madame.

- Boa noite, primeiro ministro, quero que o senhor saiba que essas perguntas são de total sigilo e não podem ser reveladas aos outros passageiros, o senhor concorda?

- Com certeza madame, o que falarmos agora ficará entre nós.

- Oui monsieur está correto, me diga o senhor conhecia a nossa vítima antes de embarcar nesse trem?

- Não senhora eu nunca o vi na vida, mas conheço seu trabalho.

- Conhece seu trabalho de onde? Já comprou algum tipo de arma com ele?

- Não senhora, mas lembro de um fato que ocorreu alguns anos atrás envolvendo uma de suas armas.

- E que fato seria esse senhor? Perguntou Louise.

- Eu não sei detalhes, mas um rapaz foi morto por invadir uma casa, o proprietário tinha uma arma e atirou matando o jovem, essa arma era da empresa de Oliver e na época causou um grande impacto na indústria de armas, sendo que sua fábrica ficou fechada por quase um mês, é o que lembro.

- Interessante isso senador, mas não tem muita ligação com nosso crime já que minha suspeita é por envenenamento.

- De fato sim senhora, mas é o que posso informar até o momento.

- Certo primeiro ministro e obrigado, o senhor sabe me dizer se vamos ficar muito tempo ainda parados, a neve está aumentando e daqui a pouco vamos ficar presos de vez por aqui.

- O condutor e mais dois dos nossos passageiros estão fazendo o possível com o que tem em mãos para resolver o problema.

- Quem está lá além do condutor?

- Acho que Enzo o cantor de ópera e o menino Jimmi.

- Obrigada senhor, peça por gentileza que o senhor Thomas venha falar comigo, obrigado.

- Boa noite madame Bonnet, em que posso ajudá-la?

- O senhor já sabe da situação e que até que se prove o contrário todos são suspeitos, correto.

- Sim senhora, mas eu não tenho nada a esconder.

- Eu entendo o senhor, às vezes ficamos na defensiva, mesmo não tendo razão para estar, o senhor conhecia Oliver Lohan?

- Não senhora, até embarcar no trem.

- Mas sabia que ele era fabricante de armas e já tinha saído na mídia por causa de um fato criminoso de anos atrás.

- Não estou a par desse fato senhora e como disse não o conhecia até embarcar no trem.

- O que o senhor fazia em Paris? Negócios ou lazer?

- Fechei um acordo com um banco, na verdade uma parceria muito lucrativa e o que isso tem a ver com o caso senhora?

- Nada não, só estou tentando conhecê-lo melhor, algo que o senhor tenha notado de diferente nos outros passageiros?

- Não senhora, até porque eu não fiquei reparando nos outros passageiros, fiquei conversando com meu contador a respeito da economia do nosso país.

- Oui monsieur, quero conversar com seu contador, pode chamá-lo para mim?

- Com certeza madame, passar bem.

A conversa com Ethan não foi nada reveladora e Louise não chegou a conclusão alguma até agora.

- Então Louise resolveu chamar Louis Martin, assistente do senador Adam.

- Me diga rapaz, qual a ligação do senador com Oliver Martin?

- Pelo que sei apenas negócios, eles são amigos, mas não de frequentar a casa um do outro.

- E a tal arma que o senador carrega com ele é de fato de origem da fábrica de Oliver?

- Sim senhora, um belo trabalho por sinal, um objeto belíssimo.

- O senador já sofreu algum tipo de ameaça para andar sempre com uma arma aonde vai?

- Não senhora, mas é sempre bom estar preparado no caso de algo acontecer.

- Concordo, ainda mais ele sendo uma pessoa pública, mas por hora é isso meu rapaz, se precisar volto a falar com você.

- Estou à disposição, é só me chamar.

Louise até agora não tinha nenhum suspeito, mas ainda faltava falar com outros passageiros.

A conversa com a dama da ópera Lina Facite teve que ser junto a sua criada, pois a mesma entendia muito pouco do idioma.

- A senhora ficou pouco tempo no restaurante madame Lina?

- Sim, até o momento que o trem parou e como estava muito frio não fui lá para fora como os outros, voltei para minha cabine e só sai quando a senhora mandou me chamar. E minha criada ficou comigo o tempo todo.

- A senhora não notou nenhum comportamento diferente em algum dos passageiros?

- Não senhora, eu conversava com o primeiro ministro à mesa e estava bem distraída naquele momento, ele é um homem muito charmoso e inteligente que toma sua atenção.

- E sua criada em momento algum saiu de perto de você? Perguntou Louise.

- Em momento algum se afastou, aonde eu vou ela está comigo.

- Acho que encerramos por aqui madame, obrigado pelo seu tempo.

Faltava falar com o casal Caruso, então Louise resolveu falar com os dois juntos já que eram inseparáveis.

- Vocês tem uma apresentação em Londres amanhã à noite, esse fato atrapalha um pouco a mística da coisa, até porque estamos falando de um crime, como vocês se sentem em relação a isso?

Louise era muito esperta e queria ver como os dois se comportavam, queria mexer com o psicológico dos dois.

- Para mim é indiferente madame, desde que possamos nos apresentar amanhã isso não muda nada, disse Enzo.

- Mas estamos diante de um crime, um ser humano foi assassinado no trem em que você está, isso não afeta você Mirella?

- Somos profissionais detetive e sabemos separar as coisas, nos preparamos a vida toda para isso e uma ocasião dessa não se pode deixar passar, lamento pelo senhor Oliver eu não o conhecia, mas ele é um ser humano e não merecia morrer assim.

- Vocês tinham alguma relação com ele ou o conheciam de algum lugar?

- Nunca o vimos antes a não ser por hoje no trem, moramos em países diferentes, sem conexão alguma.

- Vocês sabiam que ele era fabricante de armas?

- Não sabíamos, isso é novidade, mas não quer dizer que era uma má pessoa detetive. disse Mirella.

- Com certeza não prova nada e não diz nada também em relação ao crime, agradeço aos dois e espero que amanhã corra tudo bem na apresentação.

Louise estava cansada, então resolveu parar por umas horas e relaxar um pouco, não estava conseguindo colocar sua mente para funcionar direito, talvez o cansaço ou o frio estivesse bloqueando seus pensamentos, encostou-se na janela e adormeceu em pouco tempo.

Acordou com Jimmi cutucando seu ombro e chamando seu nome.

- Detetive Bonnet aconteceu algo com o senhor Thomas, você precisa vir até sua cabine agora.

Loiuse deu um pulo e saiu às pressas em direção à cabine 4-A. Quando chegou à porta viu Thomas Brown caído em sua cama com um punhal em seu peito, ele estava morto.

- Como isso foi acontecer e onde estavam todos vocês? Quero que todos se dirijam para o restaurante e não saiam de lá.

Louise notou que no bolso do casaco de Thomas havia uma nova carta, era um ÁS de espadas, alguém está querendo brincar comigo, mas nesse jogo de cartas eu também tenho um ÁS na manga, pensou ela.

Louise examinava o corpo e a cena do crime, quando notou que uma das mãos de Thomas estava fechada, então resolveu verificar e descobriu um botão de casaco na cor branca, o mesmo usado no uniforme dos funcionários do trem.

- Mon Dieu, um botão de casaco, mas eu já vi esse tipo de botão, parece muito com o usado nos casacos dos funcionários do trem.

Guardou o botão em seu bolso sem fazer alarde, analisou o punhal usado para matar Thomas, que era feito de prata e continha uma serpente esculpida em seu cabo, ela nunca tinha visto algo assim em toda sua carreira, parecia ser de origem egípcia. A carta encontrada representava no tarô uma arma ou espada, tudo a ver com a arma do crime, nosso amigo está seguindo a risca o significado de cada ÁS, muito esperto de sua parte, mas eu sou ainda mais esperta que você e vou te encontrar, pensou Louise.

Fechou a porta da cabine e se dirigiu até o restaurante onde todos a estavam esperando.

- Vocês estão proibidos de acessar a cabine 4-A, é uma cena de crime e somente se for solicitado por mim, algum de vocês poderão entra lá, está claro?

Todos concordaram. Enzo retornou para o trem e informou que os trilhos estavam liberados, o maquinista já estava de volta e Jimmi também.

-Vocês três estavam na rua e não ficaram sabendo do ocorrido, temos um novo assassinato e desta vez foi Thomas Brown o banqueiro, ele foi morto em sua própria cabine com um punhal que acho eu é de origem egípcia. O acesso à cabine está proibido. E por favor, faça esse trem sair do lugar antes que todos nós congelemos, senhor.

- É pra já detetive!

Louise estava aliviada de sentir o trem em movimento novamente.

- Eu estive pensando, nesse meio tempo, entre um assassinato e outro, e se nosso assassino estiver transitando por todo o trem? Ele pode ser qualquer um dos passageiros da classe econômica.

- Discordo de você detetive, disse Jimmi.

- Por que você discorda Jimmi?

- Ele teria que ter acesso às portas que ficam fechadas na classe executiva, somente um funcionário teria como fazer isso.

- Hum, isso estreita minhas suspeitas, então quer dizer que ele pode ter de alguma maneira acesso a todos os vagões?

- Sim senhora, se ele for na verdade um dos funcionários.

- Mas tirando você e o chef de cozinha, quanto funcionário ainda tem no trem além do maquinista?

- Mais dois na classe econômica senhora, mas um deles é bem idoso e o outro fica no último vagão junto às bagagens dos passageiros, não teria como passar sem ser notado.

- É verdade meu amigo, você daria um bom detetive Jimmi, sorriu Louise.

- Tenho algo a dizer detetive, disse Lina Facite.

- Fale minha querida, sou toda ouvidos.

- Eu estava em minha cabine antes de acontecer esse crime, então escutei um barulho de porta e resolvi olhar, minha criada estava sonolenta e não viu quando abri a porta, eu acho que vi um homem saindo da cabine do senhor Thomas, estava meio escuro e minha visão já não é a mesma, mas me parecia com alguém que trabalha no trem pela roupa que vestia.

- A senhora saberia identificar esse homem se o visse minha querida?

- É difícil dizer com certeza, mas acho que sim, parecia jovem e alto, mas um pouco magro, não consegui ver sua cor de pele, mas era branco, com certeza.

- Estamos diante de um suspeito alto e magro, talvez no máximo trinta anos e de pele clara, alguém em particular entre os funcionários não mencionado Jimmi?

- Que me lembre não senhora, ninguém além de mim está perto dessas características.

- Hum, podemos estar lidando com um mestre dos disfarces, alguém que se passa por funcionário pode enganar qualquer um e entrar em uma cabine sem levantar suspeitas para a vítima.

- Temos uma parada antes de chegar a Londres Jimmi, quero que você tire todos os outros passageiros da classe econômica, somente ficam os da classe executiva e os funcionários, quando o trem parar peça que desçam e peguem o próximo trem, o motivo é investigação policial e não diga nada, além disso.

O trem chegou as 9h15 min na estação de Towns Village, os passageiros foram encaminhados a uma sala de espera e em seguida Jimmi embarcou e seguiram viagem.

-Tudo certo Jimmi, sem muitas perguntas e indagações.

- Sim senhora, todos entenderam, apenas alguns reclamaram do frio.

- Onde está Lina Facite, alguém a viu?

- Deve estar em sua cabine com a criada, sabe como são essas mulheres velhas em relação ao frio, disse o senador.

- Não é hora para piadas senador, vou até sua cabine verificar se está tudo bem, ninguém saia daqui até eu voltar.

Quando Louise chegou à cabine a porta estava trancada, bateu, mas ninguém respondeu, então resolveu pedir a Jimmi a chave para abrir por fora.

- Jimmi abra rápido essa porta ela pode estar em perigo.

Quando Jimmi abriu, a cena que se viu era assustadora, Lina Facite estava caída sob a cama com a boca aberta e dela saia um pouco de fumaça como se tivesse algo em brasas dentro de sua boca, sua criada estava inconsciente no chão e tinha as mãos amarradas nas costas.

- Jimmi depressa feche a porta, disse Louise, e veja se a criada está viva.

- Sim senhora está inconsciente, mas tem pulso.

- Mon Dieu, pobre mulher deve ter sofrido muito até morrer, veja Jimmi, mais uma carta e essa representa fogo, o ÁS de paus, nosso amigo é bem criativo e nos deixou detalhes de seu crime, veja uma lata pequena de querosene e marcas no pescoço de estrangulamento, minha teoria é de que ele entrou deixou a criada inconsciente e se aproveitou que a senhora Facite estava dormindo e a estrangulou, depois abriu sua boca e jogou querosene em seguida acendeu um fósforo e viu-a queimar ainda viva de dentro para fora, muito cruel da parte dele, quase poético, mas brutal, estamos lidando com alguém muito inteligente Jimmi. Reúna todos os homens Jimmi, vamos fazer uma busca em todo o trem, vamos pegar esse mestre das cartas nem que seja meu último blefe.

- Jimmi venha comigo e o senhor também ministro, Mirella fique com Mahara e o senador aqui no restaurante, Enzo, Ethan e Louis vocês cobrem os últimos vagões.

Louise procurava por algo que ainda não tinha visto, uma pista ou algum objeto deixado para trás, mas não encontrou nada, os outros também não encontraram nada, além de lixo jogado ao chão. De volta ao restaurante Louise resolveu encerrar as buscar, mas ela ainda tinha uma carta na manga que não estava pronta para revelar.

- Onde está o senador Mirella?

- Ele resolveu voltar para sua cabine, pois não estava se sentindo bem, tomou uma taça de vinho e ficou enjoado.

- Enjoado pode ser reação ao veneno, rápido Jimmi traga sua chave.

Jimmi abriu a porta da cabine e o senador estava sentado com uma taça de vinho em suas mãos, a cabeça para trás e uma espuma saindo pela boca.

-Veneno novamente, eu sabia que isso iria acontecer de novo, só não pude prever seu próximo passo, olhe Jimmi, mais uma carta e agora é o ÁS de copas, tem símbolo de coração, mas representa uma taça e tem conotação feminina, mas será que o senador é... Não, preciso checar, pensou Louise.

De volta ao restaurante Louise dá a notícia a todos.

- O senador está morto, vítima de envenenamento, mas quem será o próximo e qual ligação entre as vítimas, me diga Louis o senador era casado?

- Não senhora, suas preferências eram por jovens homens.

- Eu sabia que a carta se referia a isso, Louis você é demais, mas qual significado disso tudo.

Desmascarando o assassino (finalmente as cartas estão na mesa)

Todos estavam sentados no restaurante, apenas Louise andava de um lado a outro pensativa até que se lembrou de algo que deixou passar em branco.

- Jimmi onde ficam os pertences dos funcionários do trem?

Falou em tom baixo para só que Jimmi escutasse, todos se olharam sem saber o que estava acontecendo.

- Preciso conversar com nosso chef de cozinha por uns minutos, mas eu volto e ninguém saia dessa sala.

Tenho que pegar esse assassino antes de chegar a Londres, pensou Louise.

- Onde fica o depósito Jimmi?

- Depois da cozinha Louise, na próxima porta.

Louise começou a abrir todas as malas, mas não encontrou nada que significasse ser do assassino.

- Nada Jimmi, será que deixei passar algo? Existe algum outro tipo de compartimento nesse trem, algo que não é para ser visto a olho nu?

- Que eu saiba não, senhora.

- Jimmi me ajude aqui, estou vendo algo ali em cima naquele vão, você está vendo? Parece uma pequena mala.

- Sim senhora estou vendo, é mesmo uma pequena mala.

Jimmi fez apoio para Louise subir até alcançar a tal mala.

- Peguei Jimmi, me ajude a descer, veja é uma pequena mala escondida no vão do teto, aposto que nossas respostas estão aqui dentro. Ao abrir a tal mala Louise começou a sorrir.

- Eu disse Jimmi, está aqui tudo que eu precisava para esclarecer esses crimes, veja a roupa de funcionário e esta faltando um botão, aquele mesmo que encontrei na mão de Thomas Brown, um vidro de arsênico e bingo, está ai o veneno usado nos copos. E ainda tem mais Jimmi, o que é isso? Uma carta do senador Adam autorizando a fábrica de Oliver a reabrir, depois de um mês fechada, um baralho de cartas, claro sem quatro pares de Ases, hum... hum...a arma feita sob medida do senador, fotos do senador com Oliver jantando em um restaurante, mas esse terceiro na foto não é Thomas Brown, sim é ele mesmo, então os três se conheciam, veja ainda tem um bilhete, deixe-me ver o que diz nele.

“Querido irmão eu sei que o que vou fazer não vai trazer você de volta, mas eu preciso ter paz em minha vida e só depois de todos pagarem com a própria vida vou poder continuar, tenho tudo planejado e sei onde todos irão estar, já estou trabalhando com um deles sob disfarce, tenho sua total confiança e sei de todos os seus passos, poderia matá-lo a hora que eu quisesse, mas prefiro pegar todos de uma vez, espero que entenda o que estou fazendo e fique feliz por mim, nunca irei esquecê-lo meu irmão querido, dê um beijo em mamãe e papai por mim, um dia estaremos juntos de novo.”

Com amor,

L.M

- L.M, Jimmi, quer dizer Louis Martin, ele é o nosso assassino, mas por que matar esses três homens? E qual ligação com seu irmão? E a senhora Lina Facite não foi mencionada no bilhete, mas por que está morta? Seria porque viu o assassino?

- Mas é claro Jimmi, ele a matou antes que ela o reconhecesse. Preciso que você me faça um favor Jimmi, quando voltarmos para lá, aja normalmente e com muito cuidado, sem ser notado feche a saída do restaurante e dê uma desculpa qualquer, pode se por causa da corrente de ar frio que entra, algo assim combinado?

- Sim detetive combinado.

Louise entrou no restaurante e discretamente deixou a pequena mala atrás de uma mesa, ficou parada olhando todos enquanto Jimmi se dirigia até à porta, então acenou para ele e pediu que fechasse a porta, por causa da corrente de ar frio, que estava entrando. Andou de um lado a outro e começou a falar:

- Bem como todos vocês sabem quatro pessoas foram assassinadas nesse trem, o assassino usou quatro cartas com naipes diferentes em cada crime, um ÁS de ouros, que simboliza no tarô alquimia e lógico, usou veneno no copo, muito inteligente de sua parte, depois temos o ÁS de espadas e, no caso, ele usou uma faca, foi muito inventivo da parte dele, em seguida temos o ÁS de paus, que simboliza o fogo e ele usou um método muito cruel, em uma senhora indefesa; E por último, o ÁS de copas, que tem uma conotação feminina e como fiquei sabendo do senador, que ele tinha preferências por homens... Todos se olharam e apenas Louis sorriu.

- Mas o que essas cartas têm de ligação com os crimes? Disse Louise.

Na verdade eu acho que nada e sim, foi apenas uma distração, um complemento para parecer inteligente e fazer as pessoas pensarem, mas eu descobri que três das vítimas se conheciam antes de embarcarem nesse trem, todos sabemos que Oliver e o senador se conheciam, porque conversaram nesse mesmo lugar um dia antes, mas também tinham relação com nossa vítima numero dois, Thomas Brown, o único ponto fora do lugar é a senhora Lina Facite, que no meu entender foi uma vítima ao acaso, pela infelicidade de ver o assassino saindo da cabine do senador, mesmo não o reconhecendo na hora, acabou sendo morta, uma fatalidade ao acaso.

- Eu, também, encontrei na cena do crime de número dois um botão de casaco, ele estava na mão de Thomas Brown, na tentativa de se defender, ele deve ter segurado com força a roupa do assassino arrancando um de seus botões, vejam é esse botão e combina com o casaco que Jimmi está usando, mas é claro, Jimmi não é nosso assassino e seu casaco tem todos os botões.

- Louis você saberia me dizer onde foi parar a arma que o senador tinha com ele? Perguntou Louise.

- Não senhora, acho que pode estar na cabine.

- Com certeza não, eu teria achado quando analisei a cena do crime. Quando eu e Jimmi vasculhamos o vagão dos funcionários eu encontrei algo muito revelador Louise;

Foi até à mesa e pegou a pequena mala a colocou-a sobre a mesa.

- Alguém reconhece essa mala? Perguntou e na mesma hora Louis começou e se mexer como se fosse querer sair correndo.

Ela abriu a pequena mala e tirou a arma que pertencia ao senador, apontando para Louis.

- Fique calmo meu amigo, pelo que vejo essa mala lhe pertence.

- Nunca a vi na vida detetive, fiquei nervoso por causa da arma.

- Pois bem, Jimmi pegue a arma e fique na porta, se alguém se mexer aponte e se preciso pode atirar.

- Com certeza eu farei isso detetive.

- Como ninguém se declarou dono dessa mala eu vou revelar o que tem dentro, além da arma é claro, temos um uniforme de funcionário, sem um de seus botões, o mesmo botão que encontrei na mão de Thomas Brown, um baralho de carta, por sinal muito oportuno e um vidro de veneno, além de fotos dos nossos três homens mortos, em um restaurante juntos, temos também a ordem dada pelo senador para liberar a fábrica de armas e a peça chave de tudo, um bilhete assinado apenas como L.M, o que me leva a crer que L é de Louis e M de Martin, o que você me diz senhor Louis? Perguntou Louise.

- Você realmente é muito esperta detetive, acho que subestimei sua inteligência, mas o que está feito está feito, eles mereceram e faria de novo se possível.

- Diga-me Louis qual ligação desses homens com seu irmão?

- Thomas Brown matou meu irmão, ele estava sem emprego e desesperado, pois a namorada estava grávida e ele precisava pagar as contas do médico, mas teve a infeliz ideia de invadir a casa de Thomas para roubar e foi assassinado brutalmente pelas costas, a arma era de origem da fábrica de Oliver Lohan e não tinha licença, nada foi feito a respeito e ninguém foi punido, apenas uma multa e um período sem atividades, até o nosso senador Adam expedir um documento de liberação da fábrica, Thomas alegou legítima defesa e se safou também, meu irmão foi vítima do sistema detetive, ele era um jovem bom e com um futuro pela frente, seria um bom pai, mas teve sua vida tirada por um homem rico e covarde.

- Mas e a senhora Lina, por que a matou?

- Ela foi apenas um bônus, estava no lugar errado e na hora errada e podia me reconhecer antes de eu completar meu plano, sua morte foi uma obra de arte você não acha? Louis sorriu ao perguntar para Louise.

- Não vejo nada de nobre no que você fez, muito menos ser comparado a uma obra de arte, essa senhora não merecia morrer assim. Então quer dizer que você se juntou ao senador e esperou o momento certo para pegar os três? É isso?

- Com certeza foi isso, poderia matá-lo a hora que eu quisesse, mas sou paciente e esperei a hora certa de agir.

- Muito bem senhor Louis, o senhor está preso por múltiplos assassinatos e terá direito a um advogado, quando chegar a Londres. Jimmi pegue uma corda e amarre a mãos do senhor Louis, ele ficará fechado em sua cabine até chegarmos, se tentar escapar atire nele.

- Bom trabalho detetive, disse o primeiro ministro Frances.

- Obrigado senhor, mas fiz apenas meu trabalho.

O trem se aproximava da estação em Londres, quando Louise olhou pela janela e viu dois policiais parados em frente ao terminal, desembarcou depressa e foi em direção aos dois policiais identificando-se.

- Louise Bonnet, polícia francesa, temos um criminoso em uma das cabines do trem, ele matou quatro pessoas durante a viagem, peço que vocês o escoltem até à delegacia e procurem pelo capitão Hastings, diga que Louise Bonnet os mandou.

Louise estava muito feliz por ter resolvido um crime, em tão pouco tempo e não via a hora de encontrar seu amigo Eddie Mase e contar-lhe tudo o que aconteceu, ficou parada enquanto os policiais levavam Louis e com um sorriso no rosto pensou: Louise Bonnet você é demais!...

Fim


O assassino da navalha - conto de suspense de Marcelo Gomes (A primeira atuação de Eddie Mase)

 




Londres


Era noite de sábado e as ruas de Londres estavam lotadas, tinha algo de sinistro no ar, aquela noite mais porque um travesti tinha sido espancado até à morte, na noite anterior.

Homens que repudiavam os gays, com muito ódio foram os principais suspeitos, mas até agora ninguém havia sido preso.

As ruas sujas abrigavam todo tipo de gente, desde mendigos, drogados, prostitutas e marinheiros que vinham de todos os lugares em busca de diversão.

O lugar mais famoso e que abrigava todos os tipos de gente, era a taverna do Harry, conhecida por toda cidade e, também, famosa pelos petiscos de peixe e chopp da melhor qualidade, o nome era “The Horde”, nome que foi dado devido a quantidade de gente que a frequentava, sendo assim foi batizada, de a horda pelo seu proprietário e bêbado de plantão, Sir Harry.

A certa hora da noite, Londres começava a ficar mais sombria devido a densa neblina que costumava cair, não se via quase nada e as ruas ficavam mais perigosas.

A polícia fazia rondas, mas tinham poucos policiais de plantão à noite, muitos tinham medo e temiam por suas famílias sozinhas em casa.



Foi nessa mesma noite que tudo começou, depois do



que aconteceu, Londres não foi mais a mesma.





O beco



Os lugares mais frequentados pelos drogados e mendigos eram os becos de Londres, pois tinham acessos fáceis de fuga, quando a polícia chegava e por serem escuros camuflavam qualquer tipo de crime ali praticado.

Danny Boy era um dos vigaristas mais espertos de Londres, vivia dando golpes em todos e vendia contrabandos vindos da China e Nova York, fora preso várias vezes, mas nunca chegou a cumprir uma pena longa. Vivia no beco principal, que dava acesso ao bar do Harry, pois era onde sua melhor clientela se encontrava.

Certa vez levou uma surra de dois marinheiros, por querer vender estrume de vaca misturado à maconha, isso lhe rendeu uma semana no hospital. Mas não se deu por derrotado e lá estava ele de novo, na outra semana no mesmo beco.

Figura também conhecida nos arredores do beco era Bill, 'o Marreta', ex-pugilista que ficou cego de um olho em uma briga de rua, na ocasião seu oponente quase arrancou seu olho com uma faca de cozinha, mas claro Bill o matou em seguida com seus famosos socos de marreta. Ele fazia a segurança de todas as prostitutas, que ali trabalhavam, certa vez bateu em três homens que não queriam pagar a conta e quase os matou.

O beco era muito frequentado por prostitutas, uma vez que muitos clientes não queriam pagar por um quarto.

Nessa noite, apesar do movimento, o beco estava quase vazio e muito quieto, mal dava para se ouvir o barulho dos ratos no lixo, alguns mendigos dormiam e outros estavam tão drogados que não conseguiam se mover.

Algumas prostitutas entravam e saiam com muita rapidez, pois queriam faturar o máximo que podiam, os únicos sons do lugar eram dos marinheiros cantando e brigando entre si no ‘The Horde’.

A cada um que saía acompanhado ou ficava caído no beco, ou era roubado devido ao estado de embriaguez, Bill, o Marreta estava com uma noite cheia, não conseguia dar conta de cobrir todas as mulheres, devido ao movimento intenso daquela noite.

Enquanto observava um cliente discutindo com uma prostituta na rua, escutou um grito abafado vindo do beco principal, saiu às pressas para verificar e encontrou a mulher caída e um homem portando, o que parecia ser uma navalha sob seu corpo.

A única luz que ali entrava era de um poste da rua principal e era muito fraca, mas deu para ver o brilho da arma claramente, o homem vestia uma capa preta e toca também escura, correu em sua direção e chegando perto foi surpreendido por um golpe muito violento que o jogou contra a parede.

O homem de pé parecia ser maior ainda e tinha uma cicatriz no canto do olho direito, sua força era fora do comum e agarrando Bill pelo pescoço o levantou do chão, sorriu para ele e seus dentes pareciam ser feitos de metal, Bill foi sufocado até à morte, sem poder reagir, enquanto o homem misterioso o olhava bem fundo nos olhos.

Deixou Bill caído sem vida e se voltou para a prostituta que a essas horas já estava morta com a garganta cortada, rasgou seu vestido e com os seios a mostra deu uma mordida, arrancando um pedaço, em seguida o devorou. Saiu andando tranquilamente e sumiu em meio à densa neblina.



Eddie Mase



Eddie Mase era um novato na academia de polícia e tinha se formado a menos de um ano, mas já era tido como um promissor detetive devido ao seu raciocínio rápido e inteligência apurada.

O telefone tocou às nove horas na residência de Eddie, estava tomando um café e lendo o jornal local. Era o chefe de polícia no outro lado da linha.

- Eddie meu garoto, preciso de você agora no beco da rua principal, perto do bar ‘The Horde’, parece que temos um duplo assassinato.

- Sim senhor, estou a caminho, alguém está no local?

- Só alguns policiais e uns mendigos que acharam os corpos, não se esqueça Eddie, esse pode ser seu primeiro grande caso, dê tudo de si garoto.

- Sim senhor, estou indo agora.

Saiu às pressas e sem terminar seu café, ao invés de pegar uma carruagem resolveu ir a pé, tamanha ansiedade que se encontrava.

- Bom dia senhores, sou o detetive Eddie Mase e vim a mando do chefe de polícia, vou assumir o caso. Quem encontrou os corpos?

- Foram aqueles dois mendigos ali senhor. O policial apontou para dois homens sentados, que bebiam, o que parecia ser vinho.

- Bom dia senhores, quem de vocês encontrou os corpos?

- Fui eu senhor, fui soltar um pouco de vinho e aí achei os dois, sabe como é bexiga solta, temos que aliviar, começou a rir, mas Mase estava sério e o indagou.

- Mas você não mexeu nos corpos né? Não roubou nada?

- Não senhor, nem cheguei perto, tinha muito sangue.

- Está bem, mas e à noite, não viram nada de anormal?

- Não senhor nós temos um sono muito pesado devido a bebida, não vimos nada.

- Obrigado vocês já podem ir agora.

- Vamos isolar a área, é uma cena de crime e ninguém entra nem sai, sem eu saber.

Primeiro foi observar o corpo de Bill, pois estava mais perto do local dos mendigos.

- Hum, ele foi estrangulado, mas antes foi jogado contra a parede, veja o ferimento atrás da cabeça e os hematomas, alguém muito forte fez isso, para derrubar Bill teria que ser bem grande, estamos falando de um homem de no mínimo 1,85 ou mais.

- Vamos ver a mulher, alguém sabe quem era ela?

- Não senhor, não temos a identidade dela ainda, sabemos que é umas das prostitutas de Danny Boy e o homem é Bill, ‘o Marreta’, que fazia segurança delas.

- Não sabia que Danny também era cafetão.

- Na verdade, ele tem algumas garotas na rua, mas a maioria é por conta própria mesmo.

- Me empreste um lenço, deixei o meu em casa porque sai às pressas.

- Olhe aqui no seio direito, tem uma mordida bem profunda e marca de dentes bem afiados, parece ser de um animal, mas é impossível algum animal fazer isso, um cachorro talvez, mas não seria tão precisa assim e um animal não cortaria a garganta cirurgicamente.

- Pode ter usado uma faca de açougueiro, ou até uma navalha, talvez. Será que temos um imitador de ‘Jack o Estripador'?’

- Não, Jack era mais metódico e esse cara só tem violência pura, não se importa com detalhes.

- Levem os corpos para o legista e diga que passo mais tarde por lá, antes vou falar com o comissário. Mais uma coisa rapazes, contatem Danny Boy e peçam que ele vá até a delegacia, hoje mesmo.

- Sim senhor.

Meia hora depois Eddie já estava na delegacia e foi direto falar com o comissário.

- Posso entrar senhor?

- Claro Eddie, entre, como foi por lá, alguma pista?

- Ainda não senhor, mas temos um assassino que pode vir a matar de novo.

- Por que você diz isso, Jack voltou?

- Não senhor, mas todo serial killer deixa uma pista ou uma marca para ser reconhecido e esse gosta de morder as vítimas, usa algo afiado nos dentes e é muito forte, a mulher teve um pedaço do seio arrancado e o segurança Bill, você deve conhecer ‘o Marreta, acho que nem teve chance de se defender.

- Meu Deus estamos lidando com um monstro!

- Não senhor, mas um homem cruel e muito forte.

Um policial bate à porta e anuncia que Danny Boy está à espera.

- Está bem oficial, já estou indo.

- Pode ir Eddie e me informe se tiver algo mais.

- Sim senhor, com licença.

Danny Boy estava bem relaxado e fumando um cigarro, quando Eddie entrou na sala.

- Você não pode fumar aqui, quer que lhe prenda por desrespeitar uma ordem, você não viu a placa na parede?

- Desculpa senhor, já vou apagar.

- Me diga Danny, a mulher morta era uma de suas garotas certo?

- Sim pobre Mary, só estava querendo ganhar a vida.

- Mary é esse o nome dela então? Você sabe se ela tinha algum tipo de rixa com alguém ou devia dinheiro?

- Não, Mary era uma mulher boa, tinha uma filha que ficava em casa com a mãe.

- E você não notou ninguém estranho na noite anterior pelas ruas ou no bar?

- Não somente a ralé de sempre, nada de incomum.

- Bom você pode ir Danny e se souber de algo me avise, obrigado pela sua colaboração.

- Sim senhor, aviso sim.

- E Danny avise as meninas para evitar os becos por um tempo.

Danny acenou com a cabeça e saiu.



O legista



Eddie chegou ao necrotério cheio de dúvidas e trazia um pequeno bloco de anotações em sua mão, não queria que nenhum detalhe passasse despercebido.

- Boa noite Frank como está a autópsia já tem algo para mim?

- A principio detetive, o básico já tenho, homem branco ex-boxeador estrangulado, como se fosse um brinquedo e mulher branca 30 anos, degolada e com seio mutilado, nada além disso, a não ser pelo fato da mordida ser feita por algo pontiagudo e forte.

- Nenhum homem tem dentes como os de um animal, a minha teoria é de que ele usa algum tipo de protetor bucal em forma de presas.

- Hum, isso eu notei na cena do crime, mas ele teve algum tipo de relação com ela?

- Não, isso aconteceu bem antes do crime, mas não foi ele, acho que os motivos não são sexuais e sim de algo reprimido e que faltou em sua infância talvez.

- Quer dizer que ele pode ter algum tipo de demência ou sofre de algum tipo de transtorno?

- Talvez, ele pode ser bipolar ou foi abusado quando criança, tudo é possível.

- Estamos falando então de um homem muito perigoso e extremamente forte.

- Sim senhor e acho que não vai parar por aí, a marca é um sinal disso, algo que ele quer deixar para a polícia um recado ou algo assim:

‘Estou aqui essa é minha marca venham me pegar’.

- Você tem razão, vou reforçar o policiamento hoje, sábado é uma noite sem limites e devemos estar preparados. Obrigado pelo seu tempo se descobrir algo mais me contate.

- Claro, com certeza, boa noite.

Sábado à noite, Londres fervia novamente. A neblina não estava muito densa e o policiamento estava redobrado conforme Eddie pediu, as ‘meninas’ estavam evitando a todo custo os becos e Danny estava atento a tudo. Além do mais, seu segurança não estaria mais ali.

Eddie ficou perto do bar e de olho em todos. Hoje estava armado de sua pistola e tinha também um bastão emprestado por um policial. Uma briga começou perto do bar e Eddie se assustou quase sacando sua pistola, mas logo os policiais acalmaram a situação.

Tudo ocorreu bem naquela noite e já era tarde, quando os últimos clientes do bar saíram. Eddie resolveu encerrar a noite e deixou apenas os policiais da ronda noturna, estava cansado e foi para casa dormir.

A neblina aumentou um pouco e uma das meninas que ainda se encontrava por ali, com seu último cliente resolveu ir embora sozinha.

Mas o homem insistiu de ir junto e ela aceitou. Conversavam sobre as coisas da vida, ele era casado e morava na outra cidade e ela tinha um pai em casa doente e acamado.

O homem resolveu cortar pelo beco por ser mais curto o caminho e ela aceitou mesmo sabendo do perigo.

Estavam no meio do caminho, quando um homem surgiu entre as latas de lixo e com um golpe jogou a cabeça do homem contra a parede, que explodiu em sangue e miolos.

A mulher tentou gritar, mas ele foi mais rápido e tapou sua boca, enquanto cortava sua garganta com uma navalha e o sangue jorrava na parede, levantou ela como se fosse uma boneca, enquanto se debatia e com a outra mão rasgou seu vestido e mordeu seu seio brutalmente e em seguida jogou ela contra a parede como se fosse um graveto.

Um guarda que ali passava viu um movimento e foi verificar. O homem, que parecia mais um gigante de rosto mutilado, partiu para cima do policial e desferiu um golpe com sua navalha em direção a seu rosto. O policial colocou a mão em frente para se defender, mas o golpe pegou em cheio rasgando sua mão e um pouco de seu rosto. Fazendo com que caísse de joelhos. O assassino o golpeou mais uma vez, acertando em cheio sua garganta e jorrando sangue em abundância, não satisfeito segurou seu cabelo e começou a serrar seu pescoço até sua cabeça cair ao chão. Foi embora sem olhar para trás e sumiu na escuridão da noite.

No dia seguinte o prefeito estava ligando para o comissário pedindo uma reação imediata da policia e de seus homens para pegar o assassino, as manchetes estavam deixando a cidade em pânico e o prefeito estava sendo muito cobrado.

- Eddie, o prefeito me ligou essa manhã e quer uma solução imediata nesse caso, está sob pressão e quer descontar em nós.

- Estou fazendo o possível comissário e hoje perdemos um policial também, esse assassino é muito inteligente.

- Deixou que todos fossem embora e ficou nas sombras espreitando. Matou aqueles homens como se fossem de brinquedo. E está ficando mais violento.

- Vá para as ruas hoje Eddie e não saia enquanto não pegar esse maníaco.

- Está bem senhor, farei o possível.

- Não Eddie, faça o impossível e o traga para mim, vivo ou morto.

- Sim senhor.

Naquela noite Eddie encontrou Danny Boy na praça central, antes de ir para a rua principal e fazer sua vigília.

Danny estava bem preocupado.

- O que faz aqui Danny. não deveria estar cuidando de seus negócios?

- Que bom que encontrei com você Eddie. uma das meninas veio para esse lado com um homem e agora não voltou mais.

De repente um grito foi ouvido vindo do velho armazém de pólvora, Eddie correu junto com Danny o mais rápido possível, mas a porta estava fechada.

- Me ajude Danny vamos arrombar a porta rápido!

Com ajuda de Danny conseguiu entrar, mas já era tarde a mulher estava morta em cima da mesa sem cabeça. A mesma estava em cima de um barril como se olhasse para eles, Danny entrou em pânico e começou a chorar e dizer que iriam morrer ali também.

Eddie sacou sua arma e andou até o outro lado da sala, que estava escura e cheia de pólvora. Mas o homem monstruoso atravessou a parede como se fosse de papel e jogou Eddie entre os tonéis de pólvora como um boneco, fazendo com que desmaiasse na hora.

Então foi em direção a Danny que tentou fugir, mas escorregou no sangue no chão e caiu. O homem o agarrou pelo pescoço e quebrou sua espinha como se fosse um peixe morto. Depois pegou sua cabeça e bateu tantas vezes contra um pilar de tijolos, que nem seus dentes podiam o identificar, acendeu um fósforo e colocou fogo no lugar saindo em seguida.

Eddie acordou em meio às chamas e conseguiu fugir antes que o lugar explodisse e viesse abaixo. Procurou pelo assassino, mas já tinha ido embora. Então caiu desmaiado novamente. Eddie acordou no hospital dois dias depois, com muitas dores ainda no corpo, perguntou ao comissário, que lá estava, se Danny tinha sobrevivido. A resposta foi negativa.

- Descanse Eddie. não pense nisso agora deixe que resolvo com o prefeito, quando você melhorar volte ao caso.

- Não sei como parar esse animal senhor. Ele não é humano atravessou uma parede de tijolos e nem teve um arranhão.

- Tudo bem Eddie, depois falamos sobre isso. Agora descanse e amanhã eu volto e digo como está o caso.



O prefeito

O prefeito foi convocado para uma coletiva junto à imprensa local para dar esclarecimentos e informar sobre o andamento do caso, pois a população estava com muito medo e estava começando a afetar os negócios.

A praça em frente à prefeitura estava lotada, muitos jornalista e curiosos, além de muita segurança por parte da policia local, o comissário chegou junto com o prefeito e logo foram bombardeados de perguntas.

- Uma pergunta de cada vez, se houver tumulto encerramos por aqui. Disse o comissário.

- Com licença prefeito, o que o senhor está fazendo quanto à segurança da população?

- Esses crimes são isolados, esse maníaco não mata aleatoriamente, ele escolhe suas vitimas e elas são na maioria prostitutas que trabalham à noite perto dos becos.

- E a morte de Danny Boy foi escolhida?

- Não, ele apenas estava no lugar errado e na hora errada, foi um acaso o que aconteceu, sua vitima era uma prostituta que trabalhava para Danny e como encontrou o detetive Eddie na hora do ocorrido, resolveu ajudar, mas acabou morrendo também.

- E o detetive como está, ele sabe quem é o assassino?

- Quem pode responder essa pergunta é o comissário.

- Sim, ele está bem e temos um retrato falado do assassino e logo estará nas ruas, ele não pode se esconder para sempre.

- E o policial que morreu outro dia, o que foi feito com a família?

- Como ele morreu em serviço a família vai ter a pensão a que ele tinha direito. Agora precisamos ir o prefeito tem compromisso.

Todos começaram a falar ao mesmo tempo e um princípio de tumulto se formou, mas logo a policia controlou os mais afoitos.

- Tenho que ir ao meu barbeiro às 6 horas, até lá quero que você coloque toda a força nas ruas comissário, entendeu?

- Sim senhor, vou providenciar.

O prefeito chegou ao barbeiro exatamente às 6 horas da tarde, em ponto e o mesmo fechou a porta. Tinha exclusividade toda vez que ia lá.

- Boa tarde prefeito, como está hoje?

- Nada bem, esse caso de assassinatos está me deixando louco, nem durmo direito à noite.

- Mas ainda não sabem quem é?

- Não, somente pistas que não levam a lugar algum. Já estou me cansando do comissário e seus policiais patetas e agora aquele detetive está no hospital. O que mais me falta acontecer?

- É muito sério senhor, mas me diga o que vai ser hoje?

- Corte um pouco meu cabelo e faça a barba, depois use aquelas colônias de rosto que você tem.

- Certo senhor, é pra já.

Seguiram conversando e após a barba colocou um pouco de colônia no rosto do prefeito e deixou com um lenço para descansar.

- Espere uns 10 minutos até a pele absorver bem a colônia e relaxe. Durma um pouco vou até lá dentro preparar um café.

A cozinha da barbearia estava envolta em sombras, sua casa ficava nos fundos da barbearia e a cozinha logo ao lado, ouviu um barulho vindo da despensa e foi verificar.

Pensou que podia ser ratos, que geralmente infestam as ruas de Londres, mas para sua surpresa no escuro estava um homem de aparência gigantesca e algo brilhava em sua mão. Na tentativa de fugir bateu em um balcão fazendo com que se desequilibrasse e caísse no chão, o homem se aproximou e com um gancho de carne golpeou sua cabeça arrastando-o para dentro da despensa onde deferiu vários golpes em seu peito, fazendo com que se engasgasse em sangue sem poder gritar. Em seguida o assassino o pendurou com o próprio gancho na despensa, então foi em direção ao prefeito.

Relaxado e meio sonolento, não notou a aproximação do homem, além de estar com o rosto coberto pelo lenço. O assassino então agarrou seus ombros e tirou o lenço de seu rosto revelando sua identidade. O Prefeito ficou paralisado de medo e começou a falar engasgado, sem poder se mexer. O assassino então pegou sua navalha e disse:

- Está na hora de melhorar esse sorriso prefeito. O senhor não quer parecer emburrado em suas coletivas de imprensa não é?

Em seguida cortou os dois lados de sua boca de orelha a orelha fazendo com que seu maxilar ficasse pendurado sob o peito.

Antes de sair ainda falou:

- Que tal agora prefeito? Acho que você será o palhaço principal da festa.

Então sumiu na neblina de Londres;

O comissário chegou cedo ao hospital e deu a notícia para Eddie.



Encarando o assassino

- Meu Deus o prefeito! Ele foi longe demais tenho que sair daqui e fazer alguma coisa para impedir esse maníaco.

- Está bem Eddie, vou pedir que você tenha alta hoje sem falta, preciso de você para cuidar de minha filha, ela vai viajar para a casa da mãe, hoje ainda e preciso do máximo de proteção, até ela chegar.

- Sim senhor, farei meu melhor.

No final da tarde Eddie estava de alta e pronto para sua próxima missão. Foi direto para casa do comissário.

- Eddie que bom ver você recuperado, essa é minha filha Jasmine.

- Muito prazer senhorita. Estou ao seu dispor, a partir de agora.

- Nossa papai não sabia que você tinha um detetive tão bonito!

- Comporte-se Jasmine, ele está aqui a trabalho.

- Então vamos, Jasmine vai na carruagem com sua dama de companhia e você Eddie vai junto com mais dois policiais a cavalo.

- Sim senhor sem problemas. Vamos indo então?

Saíram em seguida. Eddie acompanhava ao lado da carruagem, enquanto um policial ficava mais atrás e o outro à frente.

Tudo corria bem até chegar à ponte que sai da cidade. Um dos cavalos parou de repente ao ver um homem parado à frente, fazendo com que todos ficassem em alerta.

Eddie se aproximou e em voz alta perguntou:

- Quem é você e o que quer?

Parecia o mesmo homem da outra noite, mas o detetive não tinha certeza, após o acidente ficou meio sem memória.

O homem ficou parado olhando fixamente para eles, até que um dos guardas sacou a arma e apontou para ele dizendo:

- Saia do caminho ou vou atirar.

Então o homem correu na direção deles e o policial começou a atirar, mas ele não parava.

O cavalo de Eddie se assustou e o derrubou no chão.

O homem então deu um soco no animal que caiu em cima do policial.

Sem se mexer e quase sem fôlego foi uma presa fácil do monstro, que com a própria arma do policial bateu em sua cabeça incansáveis vezes, até não restar mais nada além de sangue e cérebro no chão.

Eddie se levantou e correu para a carruagem tentando proteger a filha do comissário, enquanto o outro policial tentava parar o homem sem sucesso;

Ele o tirou do cavalo enquanto disparava sua arma e atravessou seu corpo com um galho de árvore que estava caído no chão. Depois pegou seu corpo e o jogou da ponte no rio.

Eddie manda que as mulheres corram sem parar, em direção à cidade, enquanto o assassino vai em direção deles.

Então Eddie dispara sua arma várias vezes, mas o homem continua de pé, conseguindo chegar bem perto, agarra Eddie pelo colarinho e o joga através da carruagem fazendo com que caia do outro lado.

E em seguida parte em direção às mulheres.

Eddie meio tonto resolve se levantar e solta um dos cavalos da carruagem. Em seguida arranca um dos ferros de sustentação e sai a galope atrás do homem que está quase alcançando a filha do comissário que tropeça e cai, antes do assassino alcançá-la

Eddie se aproxima velozmente e atira o ferro que atravessa o homem saindo em seu peito, fazendo com que caia e fique apoiado sobre o mesmo, sem poder se mexer.

Então Eddie desce do cavalo e aponta sua arma para a cabeça do assassino e atira várias vezes explodindo seu crânio. Finalmente ele estava morto.

Eddie corre em direção às mulheres e abraça a filha do comissário que chorando o agarra com todas as forças.

- Acabou, diz ele. Está morto e não pode mais te ferir.

Na manhã seguinte Eddie foi condecorado com a medalha de honra por serviços prestados e foi nomeado para trabalhar na maior agência de investigações de Londres, a Scotland Yard, era o mais jovem a ingressar e um dos mais brilhantes detetives de todos os tempos. Mais tarde iria se tornar chefe de investigações e o mais talentoso e bem sucedido detetive de todos os tempos.



Fim


terça-feira, 18 de janeiro de 2022

 Motel Rota 356

Capítulo 1- A ambulância


Uma ambulância sai do Hospital psiquiátrico St. Jones na sexta-feira a noite, levando um paciente muito perigoso conhecido como mandíbula, famoso por morder suas vítima e comer sua carne, já havia matado mais de dez pessoas e hoje seria transferido para um presídio de segurança máxima. Estava com uma proteção em sua boca e tinha correntes nas mãos e pés. Um segurança e condutor da ambulância junto de um enfermeiro fariam o transporte do prisioneiro, a noite estava fria e uma tempestade se aproximava.

-Vamos embora Billy, vem chuva por ai e vai ser daquelas.

-Eu acho que vai vir uma tempestade de cair o mundo, falando nisso você viu aquela enfermeira ruiva?

-Não prestei atenção Billy estou a trabalho, e você sabe que sou casado.

-Eu sei mas você não é cego e olhar não quer dizer que está traindo.

-Eu sei onde quer chegar mas não vou entrar no seu jogo.

-Que jogo eu só comentei sobre algo que é verdade.

-Tudo bem, veja se nosso paciente está bem ai atrás,  não quero nenhum tipo de surpresa até chegarmos lá.

-Ei seu idiota está tudo bem por ai, quer uma cerveja ou um cigarro, diga algo amigo não seja tímido

o que disse, há esqueci você não pode falar.

-Pare com isso Billy, não deixe ele nervoso. Lembra da última vez que aconteceu, tivemos três dos nossos em um hospital.

-Sim eu lembro muito bem, isso me custou uma costela quebrada e muita dor de cabeça, mas não se preocupe ele não vai a lugar algum dessa vez, e te prometo se fizer qualquer tipo de ameaça eu boto uma bala em sua cabeça.

-Eu espero que não chegue nesse ponto, olhe Billy acabou de cair um raio daqueles é sinal de que vai vir uma tempestade, não quero pegar estrada com chuva.

-Está com medo de uma chuvinha John?

-Não é a chuva Billy e sim o que pode acontecer em uma estrada molhada e escura a noite.

-Vamos parar em algum lugar até a tempestade parar, depois seguimos. Nesse momento começa a chover com muita intensidade, com ventos que parecem derrubar a ambulância.

-Precisamos parar o quanto antes, não estou vendo quase nada a minha frente .

-Lembrei de um lugar que podemos ficar John, siga em frente e quando chegar em um cruzamento vire a direita e pegue a rota 356, vamos sair um pouco do nosso trajeto, mais ou menos em 200 metros tem um motel onde podemos ficar até essa chuva passar. 

-Não sei se é uma boa ideia, fico preocupado com nosso prisioneiro.

-Não se preocupe ele está muito bem preso e lembre que tenho uma arma, se precisar usar eu farei sem hesitar.

-Estou vendo uma placa logo a frente, diz rota 356.

-Vire e siga em frente não tem como errar, você vai ver uma placa em neon dizendo motel.

-Billy você não reparou que desde que saímos do hospital tem um carro nos seguindo, e ele entrou na 356 olhe discretamente, parece algum tipo de furgão.

-Talvez seja coincidência ou ele está procurando um local para ficar também, veja John é ali motel chegamos.

-Você tem razão Billy o furgão seguiu em frente, acho que essa tempestade está me deixando paranoico.  Fique de olho nele que vou arrumar um quarto para nós.

John entrou na recepção do motel e foi recebido por uma senhora com óculos fundo de garrafa, era sorridente e simpática.

-Boa noite senhora, gostaria de um quarto com duas camas por algumas horas, só até a tempestade passar.

-Você está com a esposa, não prefere uma cama de casal?-Disse ela.

-Não senhora, estou com um paciente na ambulância e um oficial da ala psiquiátrica.

-Devo me preocupar senhor, como é seu nome por gentileza?

-John senhora, e não se preocupe ele está algemado e não tem como escapar, será apenas por algumas horas.

-Sendo assim fico mais tranquila, apenas os quartos de 1 a 5 estão disponíveis, do 6 ao 10 estão em reforma, deixe me ver. O 1 está ocupado por um policial aposentado, o 3 tem uma jovem e o 4 um casal, então temos o 2 e o 5, qual o senhor prefere?

-Pode ser o 5 senhora, desde que tenha duas camas está bom.

-Sim ele tem duas camas e um sofá,  tv a cabo e chuveiro com água quente, o senhor vai notar que entre o quarto 5 e o 6 tem um espaço que leva aos fundos onde temos um quiosque e uma praça com brinquedos para crianças, mas é claro com essa chuva o senhor não vai querer sair andando por ai.

-Com certeza não, mas obrigado pela informação, quanto custa o quarto.

-Como o senhor vai ficar algumas horas vou cobrar metade do preço, apenas 40 dólares.

-Sem problema é mais que justo, tenha uma boa noite.

-Eu já estava me esquecendo, tem uma máquina de gelo perto do quarto 3 e temos uma sala ao lado da recepção com café e uma máquina com alguns salgados e doces caso tenha fome.

-Obrigado senhora, mas me diga qual o seu nome?      

-Meu nome é Rose, se precisar de algo é só me chamar, qualquer coisa. Rose sorriu quando se dirigiu a John como se estivesse flertando com ele.

-Obrigado rose, com certeza se precisar eu falo com você, boa noite.   

-Vamos Billy tire ele de lá, vamos ficar no quarto 5 .

-Essa chuva não para parece o fim dos tempos, vamos amigo saia antes que eu pegue um resfriado.

-Certo Billy coloque ele no sofá que vou pegar toalhas para nos secarmos, não tire o olho dele.

-Fique calmo eu estou de olho, ele não vai a lugar algum e se tentar vai sair daqui em um carro funerário certo amigo. O homem olhava Billy com raiva mas não podia dizer nada, apenas fazia alguns gemidos com a boca, sua aparência dava medo até no mais valente dos homens.

-Pegue uma toalha Billy e de uma para ele, depois vamos descansar um pouco, podemos fazer turno de 2 horas até a chuva passar.

-Sem problema pode dormir um pouco, eu cuido dele.

-Se tiver algum problema me acorde.

-Não se preocupe comigo, fique tranquilo estou alerta.


Capitulo 2 - O policial Frank


Frank saiu do quarto de roupão e foi em direção a recepção do motel, estava com uma aparência preocupada, já tinha mais de 60 anos e estava acima do peso, ostentava um bigode e adorava fumar um cigarro, Rose não estava lá como de costume então ele começou a tocar a pequena campainha em cima da mesa inúmeras vezes, até que Rose apareceu depressa e com ar de assustada.

-O que foi senhor Frank, eu estava no banheiro me desculpe.

-Senhora Rose o chuveiro do meu quarto está frio, e preciso de um banho quente antes de dormir.

-Me perdoe senhor deve ser a caldeira que está com fogo baixo, me uns minutos que eu já resolvo, a caldeira fica atrás do motel só uns minutinhos e volto, me perdoe. Rose pegou uma capa de chuva e sai apressada. 

-Obrigado Rose, vou fumar um cigarro até você voltar, eu cuido a recepção se chegar alguém e peço para esperar.

-Obrigado. -Disse Rose enquanto andava na chuva.

Frank acendeu um cigarro e notou alguém parado perto do quarto número 6, era um homem alto com uma capa de chuva preta e capuz, estava olhando direto para ele.

-Ei você, saia da chuva vai pegar um resfriado, esqueceu a chave do seu quarto?, Rose já vai voltar em alguns minutos. O homem continuou olhando para ele sem dizer nada e rapidamente sumiu no corredor de acesso aos fundos do motel.

Frank já estava preocupado com a demora de Rose, então decidiu sair na chuva atrás dela, já se passaram 20 minutos e ela não tinha retornado.

-Rose onde você está, preciso de um banho urgente, onde se meteu essa mulher que diabos. Frank encontrou a caldeira e estava tudo ok, o fogo estava forte e parecia que alguém esteve ali a pouco pelas pegadas no chão.

-Rose apareça mulher, vou voltar a meu quarto e espero que a água esteja quente se não teremos problemas. Quando Frank retornou encontrou a hóspede do quarto 3, ela estava parada olhando para os carros como se visse algo se escondendo.

-Boa noite moça.- Disse Frank.

-Olá senhor, o que aconteceu com você está de roupão na rua.

-Tive um problema no chuveiro, pedi a Rose que desse uma olhada mas ela sumiu.

-Sumiu, que estranho. O senhor tem fogo estou louca para fumar, desculpe sou Alice e o seu nome é?

-Sim eu tenho, me chamo Frank vou aproveitar e fumar um cigarro também.

-Deus que alivio, como é bom um cigarro. Eu estava aqui parada e acho que vi um homem se escondendo entre os carros, posso ter imaginado por causa da chuva não consegui ver direito.

-Eu também vi um homem uns 20 minutos atrás perto do quarto 6, ele estava parado me encarando e depois sumiu sem dizer nada.

-Pode ser o mesmo homem, mas o que ele quer afinal se escondendo nessa chuva.

-Não sei mas se ele for algum tipo de bandido vai se dar mal, estou armado.

-Você é policial?

-Sim sou aposentado, mas sempre ando armado.

-Hum já me sinto mais segura, e que tipo de policial você foi?

-Detetive de homicídios por 30 anos.

-Imagino que você foi um dos bons, que ganhou medalhas pelos seus serviços, estou certa?

-Posso dizer que fiz bem meu trabalho, e você o que faz da vida?

-Sou atriz, na verdade quase uma atriz. Estou indo fazer um teste para um filme mas tive que parar aqui por causa da tempestade.

-Todos estamos presos aqui por causa dessa chuva, mas vai passar e espero que você consiga o papel no filme.

-Muito obrigado, farei o melhor para conseguir pois é muito importante para minha carreira.

-Você vai conseguir tenho certeza, mas agora preciso entrar para tomar um banho e relaxar um pouco, tenha uma boa noite.

-Você também, obrigado.

Frank ligou o chuveiro e para sua alegria a água estava quente, Rose fez seu trabalho direito, mas onde ela foi, por que sumiu de repente, essa pergunta estava na cabeça de Frank enquanto ele tomava seu banho. Frank colocou uma roupa e saiu em direção a recepção do motel, Rose não estava ali e em vez de tocar a campainha ele entrou até a sala de descanso, mas Rose também não estava lá, procurou na pequena cozinha e no banheiro, mas nada ela havia sumido sem deixar pistas.    

Frank colocou uma roupa e saiu com pressa, estava armado e queria descobrir o paradeiro de Rose, ficava pensando no homem parado na chuva, seria ele um assassino ou algum tipo de louco que escapou de uma instituição psiquiátrica, perguntas que não saiam de sua mente. Ele foi até o quarto da jovem e bateu com força na porta, Alice você está ai. Ela abriu a porta assustada.

-O que aconteceu Frank, por que está agitado.

-Você viu se Rose voltou, algo não está certo sinto que aconteceu algo a ela.

-Você já olhou na recepção?

-Não mas vou olhar, quer ir comigo?

-Claro por que não. 

-Veja Alice esta exatamente como antes, as luzes acesas o lugar vazio e nada de Rose, vamos chamar os outros hóspedes e fazer uma busca pelo local. Vamos até o quarto 4 parece que tem um casal hospedado, quanto mais gente melhor. Frank bateu na porta e um homem na casa dos 40 anos abriu a porta, parecia muito simpático.

-Boa noite senhor, meu nome é Frank sou policial aposentado e estou no quarto 1, gostaria de uma ajuda para localizar nossa recepcionista Rose que sumiu já faz algum tempo.

-O que aconteceu afinal?

-Ela foi até a caldeira nos fundos do hotel mas não retornou, estou preocupado, gostaria de uma ajuda para vasculhar o local.

-Claro com certeza vou falar com minha esposa e encontro o senhor em 10 minutos, a propósito meu nome é Paul e minha esposa se chama Annie.

-Certo Paul me encontre aqui em 10 minutos, vou até o quarto 5 ver se tem alguém. Frank bateu na porta e Billy atendeu.

-Pois não senhor, em que posso ajudá-lo? 

-Sou o policial Frank e essa é Alice do quarto 3,precisamos de ajuda para localizar Rose, ela sumiu faz algum tempo. estamos preocupados, você podia ajudar a fazer uma busca no pátio do motel?

-Claro mas não posso me ausentar muito, temos um prisioneiro que tem que ser vigiado o tempo todo, mas meu colega pode ficar com ele alguns minutos. Vou avisar ele e encontro vocês em 2 minutos.

Todos estavam reunidos em frente a recepção, a chuva continuava a cair com força e Frank tomou a frente da busca por Rose.

-Obrigado por ajudar pessoal, vamos fazer o seguinte, eu vou com Alice até a caldeira, Paul e Annie vão pelo corredor no final do quarto 5, Billy vai até o outro lado do motel até o quarto 10 e nos encontramos no quiosque nos fundos, se alguém ver algo avise.

-Veja Alice alguém abasteceu a caldeira e quando eu vim aqui antes vi pegadas indo em direção ao quiosque, quem sabe ela passou mal e está por ai sem consciência.

-Pode ser que sim Frank, vamos até o quiosque dar uma olhada.      

-Mais pegadas aqui Alice e terminam...meu deus não pode ser. Frank ficou chocado e Alice sem saber o que dizer começou a vomitar, Rose estava em um banco com o pescoço cortado e olhos abertos.

-Pobre mulher, você está bem Alice?

-Sim estou, nunca vi uma pessoa morta na vida e esse sangue me deixou enjoada.

-Tudo bem respire fundo e sente um pouco. O casal chegou ao quiosque e ficaram apavorados ao ver Rose morta.

-Meu deus quem fez isso com a pobre mulher.- Disse Paul.

-Não sei amigo mas eu desconfio de alguém.

-Como desconfia, quem poderia fazer uma coisa dessas.

-Mais cedo eu vi um homem parado perto da quarto 5, com capa de chuva e capuz e ele simplesmente me encarou e sumiu.

-Então temos um assassino a solta, meu deus o que vamos fazer. Billy viu o movimento e correu em direção a eles.

-Nossa senhora, o que aconteceu.

-Não sabemos Billy, mas algo está errado e se eu estiver certo temos um maníaco a solta no motel./

-Não pode ser o meu prisioneiro ele está o tempo todo algemado e sendo vigiado.

-Não com certeza mas alguém que vi mais cedo nas sombras, você tem um prisioneiro no motel?

-Sim é um paciente da ala psiquiátrica, estamos levando ele para uma prisão de segurança máxima, mas não se preocupe ele está bem preso e não vai a lugar algum por enquanto.

-O que faremos com Rose, não podemos deixar ela aqui na rua. -Disse Alice.

-Vamos levá-la para o escritório, tem uma sala nos fundos que é um depósito depois ligamos para a polícia. Ao chegar no escritório e deixar o corpo de Rose no depósito Paul tentou ligar para a polícia mas o telefone estava mudo.

-O telefone está mudo, vai ver a tempestade fez cair algum poste e cortou a linha, vou tentar meu celular, sem sinal também, alguém pode ver se tem sinal? Todos os celulares estavam sem sinal .

-Maldita tempestade, e agora o que faremos?- Disse Frank.

-Bom posso tentar o radio da ambulância.

-Boa ideia Billy.  

-Será que tem uma capa de chuva por aqui.

-Tem sim no depósito, eu vi quando colocamos a Rose.- Falou Paul com convicção.

-Certo estou indo, qualquer coisa e toco a buzina da ambulância. Ao chegar na ambulância Billy notou que o radio havia sido arrancado, voltou depressa ao escritório.

-Mas notícias pessoal, alguém arrancou o radio da ambulância, acho que temos uma situação complicada no momento, alguém não quer que a gente contate a polícia.

-Deixe comigo, sou da polícia e estou armado, me chamo Frank e vou pegar esse desgraçado.  


Capítulo 3 - A morte a caminho


-O que faremos agora Frank, não temos comunicação com ninguém de fora, faz mais de uma hora que não passa um carro nessa estrada.- Falou Alice com ar de preocupação.

-Boa ideia Alice, eu posso pegar meu carro e dirigir até a delegacia mais próxima.

-Mas você vai nos deixar aqui com um assassino Frank.- Indagou Alice.

-Não se preocupe o oficial Billy tem uma arma, você vai ficar bem.

-Sim Alice eu estou armado, se ele aparecer estarei pronto.

-Silêncio, escutem, tem alguém no telhado...disse Paul sussurrando.      

Todos ficaram em silêncio, barulhos vinham do telhado como se alguém estivesse caminhando sobre ele, Frank pediu para todos ficarem na sala e sai até o pátio.

-Não consigo ver nada com essa chuva, mas tem algo se mexendo no telhado. Frank tentou dar a volta onde tinha um pouco mais de luz mas quando teve uma boa visão não encontrou ninguém.

-Acho que era algum animal, talvez um gambá eles gostam de se esconder em telhados e fazer ninhos.

-Não me parecia um animal, os passos eram muito pesados...disse Billy.

-Talvez você tenha razão, mas agora preciso ir até meu carro e procurar uma delegacia.

-Tenha cuidado Frank...disse Alice.

-Não se preocupe comigo. Ao chegar em seu carro Frank não conseguiu dar a partida, então resolver olhar o motor, para sua surpresas os cabos de ignição estavam cortados.

-Mas que diabos, seu desgraçado esperto. Ao verificar os outros carros notou que todos foram danificados.

-Más notícias pessoal, esse desgraçado danificou todos os carros...estamos presos aqui, e a única opção é ficarmos juntos e esperar até amanhecer, quem sabe alguém apareça. Annie começou a chorar e Paul a abraçou tentando acalmá-la.

-Fique calma querida vai ficar tudo bem.

-Nós vamos morrer Paul eu sinto.

-Não se preocupe senhora nada vai acontecer com você...disse Frank olhando para Billy com ar de preocupação.

-Eu preciso ir até meu quarto falar com John, devemos ficar todos aqui.

-Você vai trazer um maníaco para ficar com a gente Billy?...perguntou Frank.

-Não se preocupe ele está bem preso como disse a você antes.

-Espero que sim, se ele tentar algo eu estouro seus miolos...Frank sorriu ao olhar para Billy.

-Você não vai precisar fazer isso, volto em 10 minutos. Ao chegar no quarto Billy explicou a situação para John.  

Ao chegarem no escritório todos ficaram assustados com a figura estranha, era um homem grande e a proteção bucal mostrava que se tratava de alguém muito perigoso, as correntes faziam barulho ao andar fazendo parecer mais assustador.

-Não se preocupem com ele, está bem preso e vai ficar o tempo todo aos meus cuidados, o perigo está lá fora e não aqui dentro.

-Eu conheço ele, é o famoso mandíbula eu vi ele no noticiário das 6...ele matou muitas pessoa e é canibal, demais isso ele é uma celebridade...disse Alice sorrindo.

-Ele não é uma celebridade Alice, celebridades não matam pessoas...Billy falou em tom de reprovação.

-E agora o que vamos fazer, montar uma barricada ou ficar de vigia?...perguntou Paul.

-Sim vamos ficar alertas, e com certeza ele não vai tentar nos pegar aqui pois seria muito estúpido e ele provou ser bem inteligente...disse Frank.

-Estou com sede Paul...Alice olhou para Paul com tristeza nos olhos, parecia que previa algo.

-Eu até a máquina de gelo no corredor e volto em 1 minuto, preciso beber algo forte também.

-Não vá Paul pode ser perigoso.

-Não se preocupe Annie eu sei me cuidar, volto logo.

-Eu vou com você...disse Frank.

-Não precisa já sou bem grandinho, não preciso de proteção.

Passaram 10 minutos e nada de Paul voltar, Annie já começava a se desesperar.

-Ele não voltou ainda, aconteceu algo eu sinto meu deus meu marido Paul começou a gritar.

-Calma senhora vai ficar tudo bem, eu vou até lá ver se ele está bem fique calma, Alice traga um copo de água para ela e ninguém sai daqui. Ao chegar na máquina de gelo Frank não encontrou Paul, o pote de gelo estava caído no chão e tinha sangue na máquina e um pouco na parede.

-Diabos de novo não, esse maldito pegou Paul. Ao chegar no escritório deu a notícia a Annie, ela começou a chorar e desmaiou.

-Deixe que eu examino ela sou enfermeiro...disse John.

-Ela está em choque, foi apenas um desmaio vai ficar bem.

Após meia hora Annie despertou, ainda estava em choque e dizia o nome de Paul em voz baixa quase sussurrando.

-Calma Annie vamos encontrá-lo...disse Alice.

-Que merda é aquela na placa do motel, tem algo pegando fogo...disse Billy.

-Meu deus é um corpo pendurado em chamas...disse Frank com pavor nos olhos.

-É ele eu sabia, é Paul meu marido meu deus ele está morto...levantou rapidamente e sai pela porta correndo e chamando pelo nome de Paul.

-Não Annie é uma armadilha...disse Frank mas já era tarde demais, ao chegar perto de Paul Annie caiu de joelhos enquanto sua cabeça era jogada para fora de seu corpo.

-Meu deus...ela está morta...disse Alice.

-Esse maldito esperto deve ter colocado um cabo de aço como armadilha, pobre mulher.

-Precisamos sair daqui Frank...disse Alice.

-É isso que ele quer, não podemos entrar em pânico e sim ser mais espertos do que ele...Frank tinha raiva em sua voz.

-Eu posso dar uma ideia?...perguntou John.

-Diga John o que tem em mente...perguntou Billy.

-Eu posso ir até o quarto e esperar por ele, enquanto alguém fica no número 4 esperando e é claro armado, depois abro a janela do banheiro e um de vocês entra e fica escondido, quando ele chegar atira nele e pronto fim da linha, o que acham?

-É arriscado mas é uma boa ideia...disse Frank.

-Só pode ser você Frank, eu preciso vigiar o mandíbula.        

-Tudo bem sem problema, vá até lá e feche a porta e não abra para ninguém a não ser que alguém bata. o assassino não vai bater na porta é claro, fique esperto depois de 10 minutos eu vou até o número 4 e chamo você pela janela do banheiro certo.

-Combinado Frank. John entrou no quarto e trancou a porta, estava tremendo e sentado a cama começou a rezar baixinho, escutou batidas na porta e lembrou do que Frank havia dito, assassinos não batem na porta, levantou e com ar de segurança abriu a porta. Levou um susto ao ver um homem com capa de chuva e capuz, tentou fechar a porta mas ele o impediu e ao tentar correr caiu no chão, o homem então pegou uma faca de caça e cortou o tendão do seu pé direito, John soltou um grito de dor e começou a se arrastar no chão, pedia por favor que não o matasse. O assassino caminhou até ele e segurando sua roupa cravou a faca em seu crânio até a lâmina sumir, John se debateu por um segundo enquanto o chão era pintado com seu sangue. 

-Frank estava na janela do banheiro chamando por John, mas ele não respondia, então resolveu dar a volta até a entrada do quarto, ao chegar sacou sua arma e entrou. John estava no chão em uma poça de sangue.

-Deus não John, sinto muito amigo. Ao sair olhou no corredor que da acesso aos fundos do hotel e lá estava ele parado na chuva como antes, encarando Frank.

-Seu desgraçado eu vou te matar seu maníaco...gritou Frank enquanto empunhava sua arma e antes de disparar um único tiro algo brilhante surgiu do nada acertando Frank bem no peito, ele caiu de joelhos e sua arma soltou de sua mão, um machado estava cravado em seu peito, ele quase não conseguia respirar. O assassino andou até ele lentamente até que parou em sua frente encarando-o com olhos negros e frios. Arrancou o machado de seu peito com violência fazendo Frank soltar um grito de dor, o sangue jorrava e se misturava com a água da chuva, ele olhou bem nos olhos de Frank e em seguida cravou o machado em seu crânio fazendo com que se partisse ao meio. Alice estava preocupada com Frank, já se passava algum tempo desde que ele sai para encontrar John.

-Algo está errado Billy, já era para termos notícias dos dois, um de nós tem que ir até lá e ver se está tudo bem.

-Não é uma boa ideia Alice, eu não posso sair daqui e deixar o prisioneiro e você é uma mulher, é perigoso você ir sozinha.

-Então é isso porque sou mulher não posso me arriscar, não sou criança Billy sei me cuidar.

-Não é isso que estou dizendo, mas se você quer ir ok leve minha arma mas tenha cuidado.

-Certo Billy eu terei cuidado.

-Você sabe atirar?

-Sim eu sei como funciona, é só apontar e apertar o gatilho.

-Tem uma trava de proteção, puxe ela e a arma vai estar pronta mas não pense muito se ele aparece atire até ele cair.

-Pode deixar comigo, volto em alguns minutos.

-Boa sorte Alice.

Alice chegou no quarto 5 e percebeu que  porta estava aberta, ao entrar viu sangue no chão e começou a chamar por Frank, mas ninguém respondeu até que resolver olhar no banheiro e notou uma sombra através da cortina do box, ao abrir soltou um grito de pavor, os dois corpos estavam juntos na banheira, deu um passo para trás e ao se virar viu o assassino na porta a encarando, muito trêmula conseguiu dar um tiro atingindo o ombro do homem mas ele nem se mexeu. Pegou a arma de sua mão com violência e bateu sua cabeça no espelhos duas vezes fazendo vários cortes em seu rosto, depois a jogou no meio do quarto, ela muito ferida conseguiu levantar e correr para rua mas caiu novamente, estava exausta deitada em uma poça de água e sangue, ele caminhou até ela novamente ele a segurou arremessando sua cabeça contra o vidro do carro de Frank, seu rosto estava desfigurado e quase sem vida. Ele a pegou novamente e bateu sua cabeça várias vezes contra o carro, seu rosto agora era uma mistura de carne triturada e ossos. Alice estava morta. Billy estava muito nervoso, não sabia o que fazer afinal tinha que cuidar do prisioneiro, estava sem sua arma e sozinho. Foi então que teve a ideia de trancar mandíbula no depósito, só assim poderia ir até Alice e ver se ela estava bem assim como os outros.

-Fique sentado aqui e não tente nada, você não tem para onde ir vou trancar a porta e a janela tem grades, eu volto daqui a pouco.

Ao entrar na sala foi surpreendido por um violento soco que o jogou em cima de uma pequena mesa no centro da sala, ao tentar se levantar ainda tonto foi pego como se fosse um boneco e arremessado em um espelho na lateral da sala fazendo com que pedaços de vidro se espalhassem pelo chão, Billy estava sangrando e muito machucado, estava sentado com dificuldade de respirar, ainda conseguiu fazer uma pergunta ao assassino.

-Quem é você, por que está fazendo isso?

Sem dizer nada juntou um pedaço de vidro do chão e foi até Billy, se abaixou e olhando nos seus olhos cortou sua garganta e ficou olhando enquanto se afogava no próprio sangue, não satisfeito enfio o vidro em seu olho direito, Billy deu um suspiro e morreu com os olhos abertos. O assassino revistou Billy até encontrar a chave das algemas que prendiam mandíbula, depois foi até o depósito e arrombou a porta, caminhou até ele soltando suas correntes e tirando sua máscara. Os dois se olharam e então disse: -Você está livre meu irmão, e vamos para casa. Se dirigiu até a ambulância e disse para mandíbula ficar ali e esperar por ele.

-Espere aqui irmão, tenho que ligar os cabos no motor da ambulância e preciso fazer uma última coisa antes de irmos embora. Ele foi até o depósito e pegou um galão de gasolina, Rose sempre deixava um galão guardado para caso faltasse luz, poderia ligar o gerador. Ele espalhou gasolina por todo o motel e em seguida acendeu um fósforo dando inicio a um incêndio que se espalhou rapidamente. Entrou na ambulância e pegou a rota 356. Olhando pelo espelho viu o motel desabar em chamas, deu um sorriso e olhando para mandíbula disse.

-Você agora é um homem livre meu irmão, vamos para casa como nos velhos tempos só eu e você.

Fim

      

terça-feira, 30 de novembro de 2021

 Confissões de um assassino(Terapia de um Psicopata)


Frank chegou ao consultório da doutora Emily Jones ás 9 horas como previsto, estava ansioso pois teria uma reunião de negócios muito importante naquela tarde, sua posição na empresa dependeria do fechamento de um grande negócio com uma empresa do Japão, mas ele precisava desabafar antes de continuar com sua vida e a hora certa era agora, não aguentava mais viver uma vida dupla e precisava compartilhar com alguém todo seu sofrimento, uma vida de mentiras agora seria exposta para alguém que ele nunca tinha visto, mas em sua mente ele precisava colocar seus demônios para fora antes que eles o consumissem por completo. Como Ceo de uma grande empresa farmacêutica tinha muitas responsabilidades e quase não tinha tempo para diversão, apesar de levar uma vida de Playboy. Festas e jogos faziam parte de sua agenda, além de muitas drogas e mulheres, mas sua preferida era a cocaína que ele chamava de "Paraíso de neve", seu uso constante o deixava a maior parte do tempo irritado e muitas vezes sangrava pelo nariz em plena reunião deixando todos preocupados, mas sempre tinha uma desculpa e como era muito esperto todos sorriam de suas piadas. Sempre foi rico, seus pais eram donos de vários hotéis na cidade de Nova York, foi criado com muitas regras e teve uma infância bem complicada devido a um transtorno de bi polaridade descoberto aos 6 anos de idade. Tinha pavor de seu tio Eduard irmão de seu pai, muitas vezes se escondia ao ver o tio chegando em sua casa, era um menino muito bonito e chamava a atenção, seu tio sempre fazia brincadeiras intimas com ele e o deixava constrangido perante seus pais. Muitas vezes se escondia na cozinha e era acolhido por Mary a empregada e sua babá por muitos anos, tinha uma relação de mãe e filho com ela. Muitas vezes dormia em sua cama pois tinha pesadelos a noite e precisava ser amparado pois acordava aos gritos. Passou por vários médicos mas nunca superou o trauma de infância. Com o passar dos anos se afastou de sua família e se formou em administração de empresas se tornando um empresário de sucesso. Enterrou seus medos no passado mas as vezes a escuridão tomava conta de seu coração e o tornava uma pessoa triste e violenta. Suas preferências eram prostitutas, muitas vezes as machucava mas como era uma pessoa muito poderosa o dinheiro comprava o silêncio das pobres mulheres. As drogas e seu temperamento mais tarde iriam fazer com que sua vida se transformasse em um inferno sem fim, cansado de viver uma mentira resolveu fazer terapia depois de anos, o primeiro passo seria dado hoje com a Dra. Emily Jones.

Capítulo 1 - revelações

Frank parou em frente a porta e ficou olhando para o nome escrito em letras prateadas, Dra. Emily Jones -Terapia da mente e alma, por um momento pensou em ir embora mas criou coragem e bateu a porta levemente, uma voz suave vinda de dentro o encorajou a entrar. Ao abrir a porta viu uma bela mulher loira com óculos e ar de professora de ensino médio. Ela se dirigiu até ele e se apresentou gentilmente com um sorriso no rosto. Sente no sofá e fique a vontade, você deve ser meu cliente das 2 horas, Sr. Frank W. Smith. Você por acaso não é filho do empresário Robert W. Smith dono dos hotéis Wallace?, perguntou ela. Frank apenas acenou com a cabeça meio que sem graça, não queria seu nome associado a seus pais.  

-Me diga Frank por que decidiu me ver, eu andei pesquisando sobre você e notei que sua vida é quase perfeita, existe algo além do trabalho que incomoda você?

-Na verdade eu não queria vir, mas não pude evitar pois tenho muito o que dizer e me confessar para um qualquer não faz meu estilo, prefiro lidar direto com profissionais e você parece ser a pessoa certa.

-Fico feliz em ouvir isso, mas se confessar parece algo que uma pessoa com culpa faria você não acha, você se sente culpado de algo, cometeu algum tipo de crime?, saiba que existe o sigilo entre paciente e médico e nada do que disser vai sair daqui, por pior que seja sua culpa.

-Sim eu sei, me sinto culpado de viver uma vida dupla e tenho sangue em minhas mãos.

-Quando você diz vida dupla, você está dizendo que tem algum tipo de bi polaridade?

-Não vejo por esse ângulo doutora, eu sou uma pessoa com muitos traumas de infância e esses demônios me acompanham o dia inteiro.

-Quer falar sobre esse trauma?

-É por isso que estou aqui, preciso colocar para fora todo esse sentimento que me sufoca e me faz sentir ódio do mundo.

-Que tipo de ódio é esse, por que o mundo de modo geral afeta você.

-Não é o mundo e sim as pessoas que vivem nele, principalmente os homens.

-O que os homens tem que você não gosta, existe alguém especifico que você não goste ou que tenha algum tipo de rixa.

-Não apenas uma pessoa do passado, mas ela já morreu e levou um pedaço de mim junto com ela.

-E quem é essa pessoa Frank?

-Meu tio Eduard irmão de meu pai.

-E que tipo de mal ele fez a você para o odiar tanto.

-Eu fui abusado por muitos anos por ele, e a única vez que tentei dizer aos meus pais fui espancado, depois disso aceitei tudo em silêncio até meus 15 anos quando dei um basta, dei um soco em sua genitália e sai correndo, depois disso ele nunca mais me tocou e nem sequer me olhou nos olhos, virei um fantasma para ele, foi melhor assim pois para mim ele sempre esteve morto e enterrado.

-Sinto muito em ouvir isso Frank, mas você acha que o tempo não foi suficiente pera esquecer, você ainda carrega marcas do passado, com isso afeta sua vida depois de anos.

-Eu odeio os homens e suas mentiras, e odeio meu pai por ele não acreditar em mim.

-Você acha que um dia vai perdoar seu pai?

-Nunca nessa vida, eu quero que ele morra com remorso e que nunca tenha paz.

-E sua mãe Frank, o que você pensa sobre ela?

-Minha mãe morreu quando eu tinha 20 anos, não pude ir ao funeral pois não queria encontrar meu pai e meu tio, mas visito seu túmulo em seu aniversário.    

-O que você diria a seu pai se o encontrasse na rua?

-Nada, ele não existe para mim, ele morreu a muito tempo só não sabe ainda.

-Você acha que ele nunca vai se perdoar por ferir seus sentimentos?

-Não nunca, ele é um homem frio e sem coração, vive de aparências e só pensa em dinheiro.

-O que você acha de trazer ele um dia aqui para conversar? 

-Isso nunca vai acontecer pois ele está morto e mortos não falam, e vou pedir a você que nunca mais me pergunte sobre esse homem, ele não existe, estou aqui para falar de mim.

-Entendo mas só queria chegar a um entendimento, mas notei que o problema não é seu pai e sim algo que está no fundo de sua alma, algo te incomoda e você precisa libertar o que tem dentro para ser livre novamente.

-É quase isso, eu tenho uma alma sombria e essa escuridão as vezes me consome e preciso fazer o que ela quer.

-Você é capaz de fazer mal a alguém ou são apenas pensamentos?

-Sim e já fiz muitas vezes.

-Quem você machucou Frank?

-No inicio batia em prostitutas, mas depois eu percebi que elas não eram o problema.

-E quem realmente é o problema?

-Os homens são o problema, eles merecem ser punidos.

-Você não acha que está projetando seu passado traumático em pessoas que não fazem parte de sua vida.

-Não de jeito nenhum, eles devem pagar pelos seus erros sem perdão.

-Que tipo de erros você se refere, todos somos humanos e somos sujeitos a errar, você não acha?

-O homem quer poder e dinheiro, só assim pode se sentir superior em relação aos outros e fazer o que quer sem nenhum tipo de remorso, eles devem ser punidos.

-Mas você não acha que está sendo hipócrita, você também é homem e tem poder.

-Mas não faço disso uma regra, eu tornei uma pessoa melhor depois que deixei meu pai para trás.

-Então sei pai é o responsável por toda sua raiva?

-De certa forma sim, por ser um homem frio e não apoiar o filho no momento mais difícil de sua vida, ele não significa nada para mim, e cada vez que eu mato é como se estivesse vendo seu rosto e do meu tio..

-Você mata, me defina matar.

-Eu sou um assassino e vou te contar como lido com minha raiva, e como você me falou o que disser aqui fica entre nós.

- Sim o que você disser não vai sair dessa sala por pior que seja.

-Eu tenho um fetiche, um lado meu que se revela em cada sexta-feira da semana e sai a procura de prazer e dor, eu me visto de mulher e saio a procura de homens sem fé e sem alma, aqueles que o mundo nunca vai sentir falta.

-E o que exatamente você faz com esses homens, os espanca e faz sexo?

-Não eu os mato sem piedade.

-E o que você sente quando os mata, prazer?

A Dra. Emily Jones não está acreditando no que está ouvindo, com uma cara de quem duvida do que está ouvindo é surpreendida pela reação de seu paciente.

-Você acha que estou brincando, que vim aqui porque estou entediado com minha vida, você não imagina o que é ser eu e viver uma vida de mentiras.

-Eu acredito em você, me diga quando começou esse fetiche e quando aconteceu pela pela primeira vez.

-Eu me inspirei nas prostitutas que costumo sair, observei como elas andam se vestem e como abordam seus clientes, e é claro naqueles homens que se vestem de mulher. Tem muitos pervertidos nessa cidade que gostam de homens vestidos de mulher, a maioria são homens casados e que tem medo de assumir sua real opção sexual. Covardes que não pensam nas suas famílias e sim no seu próprio prazer, pobres de espirito e pecadores aos olhos de deus.

-E você acha que o castigo deles é a morte?

-Sim, morte e sofrimento.

-Me conte como foi a primeira vez que você matou uma pessoa, o que sentiu?

-Eu sou como o Dr. Jakyll as vezes tenho que libertar o monstro dentro de mim. A primeira vez não foi tão difícil como pensei, eu apenas fiz e foi como se minha mente se libertasse de uma prisão. Me senti muito bem na hora, foi algo prazeroso e intenso. Lembro que tinha me arrumado como uma verdadeira mulher, uma peruca loira e saltos altos, um vestido preto batom e um bom perfume. Eu estava na esquina perto de um beco na rua 34 quando um carro prata encostou, era um homem gordo repugnante, ele me chamou e baixou o vidro, estava suado e ofegante, perguntou quanto cobrava o programa e se eu fazia inversão de papéis, o legítimo gay enrustido que se esconde atrás de uma mentira. Combinamos o preço e eu pedi que ele encostasse o carro perto do beco, a rua estava bem calma apesar do horário, eram apenas 10 horas da noite. Ele desceu do carro enquanto eu caminhava em direção ao beco escuro, quando chegou perto tentou me beijar, eu segurei seu pescoço e pedi para ele colocar a língua para fora, nesse momento tirei minha faca de caça e cortei sua língua pela metade, ele começou a se sufocar com o próprio sangue e se curvou quase caindo ao chão. Então eu puxei sua cabeça para trás e cortei seu pescoço de um lado a outro, o sangue jorrou na parede e ele começou a se debater no chão. Fiquei ali parado olhando ele morrer lentamente em agonia banhado em seu próprio sangue. Me certifiquei que estava morto, então peguei o corpo e coloquei em seu porta-malas e dirigi até o cais e empurrei o carro para dentro do rio, até hoje ele está lá esperando para ser encontrado, depois disso fui para casa e tomei um bom banho quente e tomei um copo do meu melhor Scott e fui dormir. 

-E como você se sentiu no outro dia, foi um dia normal como todos os outros ou você sentiu algum tipo de remorso?

-Foi um dia normal como qualquer outro, trabalho e almoço de negócios.

-Vamos falar um pouco de sua mãe, gostaria de saber como era sua relação com ela.

Frank suspirou e baixou a cabeça como se aquilo fosse algo difícil de falar, sua mãe foi a única que ficou ao seu lado nos momentos difíceis de sua infância.


Capítulo 2 - A mãe (Amor e sofrimento)

-É difícil falar de minha mãe sem me emocionar, ela era uma pessoa doce e carinhosa, nunca levantou a voz para ninguém e nunca me bateu nem de brincadeira. Ela era um anjo aqui na terra, mas infelizmente tinha um marido que não a valorizava. Eu lembro de ela me dizer para não esperar nada das pessoas, que tudo que eu quisesse nessa vida eu teria que ir atrás, ela me educou de maneira correta e me deu muito amor, mas infelizmente não foi o suficiente. Meu pai por outro lado só me criticava e muitas vezes me batia, ela sempre tentava me socorrer mas acabava apanhando daquele maldito, pobre mulher vivia acuada como um animal em uma gaiola, muitas vezes eu encontrei ela chorando escondida em seu quarto, mas quando eu perguntava ela dizia que era um cisco que caiu em seu olho, mas logo ela abria um sorriso e me abraçava com ternura, dizia que tudo iria ficar bem e que eu seria um homem bem sucedido e feliz, em uma parte ela acertou. Minha mãe era a caçula de quatro irmão, a menina frágil e meiga, aos 8 anos quase morreu ao ter leucemia, seu coração ficou frágil e ao longo dos anos viveu a base de remédios e cuidados redobrados, mas o que  matou minha mãe não foi seu coração e sim o desgosto. Ela viveu anos se dedicando a cuidar de mim, enfrentou um marido que a tratava como uma mulher qualquer, nunca deixou minha mãe fazer nada na vida e a controlava como se fosse seu animal de estimação, nem sair com as amigas ela podia e muito menos sair de casa sozinha, a única companhia que ela tinha era eu, as vezes ela ficava na varanda tomando chá olhando para o vazio, um coração cheio de dor e quase vazio de sentimentos. Minha mãe nunca foi amada pelo meu pai, ela era um brinquedo para ele, a hora que ele queria  era só apertar um botão e lá estava ela pronta para o que ele desejasse, era uma mulher submissa mas ao mesmo tempo tinha fé e essa fé fazia com que ela continuasse de pé, e claro muito por minha causa.

-Você acha que o amor que tinha pela sua mãe fez de você uma criança feliz, ou os momentos ruins eram muito mais impactantes na sua vida.

-Com certeza sim, me deixou mais forte apesar de ela não estar presente nos momentos ruins, claro em alguns ela me socorreu mas foram muito poucos perto de todo sofrimento a que fui submetido na minha infância. Isso me faz lembrar de um cliente que tive uns meses atrás, se é que posso chamar esses homens de clientes, na verdade para mim eles são como gado prontos para o abate, só não sabe o dia e a hora mas estão condenados a morte com certeza. Uma certa noite eu fui sair como de costume mas desta vez eu não estava vestido de mulher, fui apenas dar um passeio para pensar um pouco e me distrair, não queria ir a um bar com amigos ouvir conversa fiada sobre mulheres e negócios. Quando cheguei perto da rua 53 eu vi um homem abordar uma prostituta e logo me chamou atenção o seu jeito de falar, eu fiquei parado próximo a eles como se estivesse olhando mensagens em meu celular. Foi então que percebi que ele era um tipo de cliente diferente, ele perguntou para prostituta se ela poderia ser sua mãe por algumas horas, achei aquilo muito estranho e me fez pensar que tipo de pervertido inclui sua mãe em seus atos sexuais. Eles entraram em seu carro e foram embora, no outro dia eu procurei a mulher e perguntei a ela o que ele queria na verdade, ela me disse que ele colocou fralda e pediu a ela que colocasse talco em suas nádegas, chupou bico e tomou leite, e queria a todo momento que ela o chamasse de filho, que tipo de gente faz esse tipo de coisa, somente um pervertido sem limites.

-Mas você não acha que pode ser algum tipo de trauma de infância, ou talvez ele não tivesse contato com sua mãe, ou ela o abandonou quando criança e isso seria uma maneira de suprir a falta dela. 

-Pode ser que sim, mas ainda acho que ele é um pervertido que tinha atração pela própria mãe.

-E você o encontrou de novo ou nunca mais o viu?

-Sim ele foi especial de certo modo, um dos que mais gostei de matar pelo fato de ser um pervertido diferente, ele queria sexo mas queria que eu fosse sua mãe naquele momento.

-Por que ele foi tão especial?

-Ele foi divertido por assim dizer, o fato de ele ter essa tara pela sua mãe tornou a coisa mais divertida e especial, eu tive tempo de sobra com ele e pude saborear cada ato de crueldade que fiz. Eu o abordei em uma noite fria de sexta-feira, ele foi muito simpático comigo dizendo que adorava homens vestidos de mulher, eu achei engraçado na hora mas depois eu pude ver o tipo de homem que ele realmente era. Eu tenho uma casa afastada da cidade, com um porão a prova de som e quase não tenho vizinhos por perto, é um local onde vou quando estou precisando de descanso, e também serve como local de trabalho onde levo alguns de meus clientes, só os especiais é claro e o homem que estou falando foi um deles. Quando chegamos eu servi uma taça de vinho e claro coloquei um sonífero que logo fez efeito, depois o levei para o porão e o amarrei em uma cadeira, quando ele acordou estava sem roupa e com a boca costurada, não podia falar nem se mexer. Quando acordou estava assustado e se debatia sem sucesso, eu fiquei por um tempo olhando para ele como se fosse um brinquedo pronto para ser usado pela primeira vez. A primeira coisa que fiz foi pregar suas mãos a cadeira com uma pistola de pregos, ele começou a gemer e as lágrimas escorriam em seu rosto, eu não podia estar mais feliz e comecei a sorrir de satisfação. Depois eu cortei uma de suas orelhas mas ele desmaiou então eu tive que esperar ele se recompor, fui até a cozinha e comi um sanduiche e tomei um como de leite, preciso me alimentar as vezes. Quando voltei ele já estava acordado e me olhava com desespero, peguei novamente a pistola de pregos e coloquei em seu joelho direito mais um prego, ele gemeu feito um porco e quando iria desmaiar eu dei um tapa em seu rosto, eu já estava cansado pois na verdade ele era um cara muito sensível e não suportava dor. Em seguida coloquei mais dois pregos em seu crânio e acabei com sofrimento, aquilo me deu paz e me senti bem, como se tirasse um peso de meus ombros.

-E o que fez com o corpo Frank?

-Eu tenho um forno enorme no porão como aqueles de crematório, coloquei seu corpo e esperei até sobrar só as cinzas.

-Então sua casa é como se fosse um matadouro?

-Na verdade não, levo apenas aqueles que acho especiais e que merecem mais atenção se é que você me entende.

-Bom eu ainda não estou convencida de tudo isso, talvez seja algo da sua cabeça que venha em sonhos e você quer colocar para fora, por isso me procurou.

-Não me ofenda doutora, o melhor está para o final e você vai saber que não estou mentindo.

-Você costuma guardar algum tipo de objeto de suas vitimas, ou alguma parte do corpo como lembrança.

-Não sou esse tipo de gente, eu apenas curto o momento nada além disso, poderia tirar fotos mas seria um pouco incriminador você não acha?

-Com certeza seria uma prova contra você, algo que em um tribunal faria com que você fosse condenado.

-Não sou idiota a ponto de fazer isso, sou um homem inteligente e tudo que faço tem um preço e esse eu não estou disposto a pagar, prezo minha liberdade e minha vida até agora está muito boa.

-E você não acha que está na hora de parar antes que você cometa um erro ou alguém perceba o que está acontecendo.

-Só vou parar quando estiver satisfeito, quando eu achar que devo mas está longe de isso acontecer.

-Você tem algum desejo de vingança contra seu pai?

-Pai que pai, para mim ele está morto a muito tempo.

-Não existe uma pequena possibilidade de você perdoar seu pai pelo passado.

-Eu já disse a você que meu pai morreu a muito tempo, acho que não estou sendo muito claro ou você não quer me levar a sério.

-Minha função aqui é tentar ajudar você é para isso que serve a terapia, não quero que você se sinta desconfortável comigo, eu só quero seu bem.

-Eu vim até você porque queria compartilhar meus pensamentos e você é alguém que tenho me identificado nesse pouco tempo que estou aqui, e como disse antes o melhor está por vir.

-Você tem ideia de quantas pessoas já matou, tem um número aproximado.

-Não costumo contar minhas vítimas, é algo que nunca pensei em fazer.

-Por que se identifica comigo, você me conhece de outro lugar ou está fazendo algum tipo de jogo comigo?

-Não seria um jogo mas algumas peças irão se encaixar ao longo de nossa conversa.


Capítulo 3 - Jogo de xadrez

-Você tem algum tipo de jogo preferido Frank?

-Sim, gosto de jogar xadrez.

-E você é bom nesse jogo, gosta de estratégias?

-Sim sou muito bom em estratégias, sou corajoso mas tenho muita cautela ao jogar.

-Então você se considera um estrategista.

-Com certeza, na vida precisamos ser espertos e jogar sempre para ganhar.

-Vamos jogar então, mas será um pouco diferente do xadrez que você está acostumado.

-Diferente em que sentido doutora.

-Eu te faço uma pergunta e conforme a resposta eu digo xeque ou xeque mate, se eu acreditar digo xeque, se achar que mentiu xeque mate. O que acha quer jogar?

-Claro por que não, pode ser divertido.

-Você já amou alguém além de sua mãe?

-Sim claro eu sou humano.

-Xeque, já passou fome ou roubou?

-Não, nunca passei fome e nunca roubei nada de ninguém.

-Xeque mate.

-Por que, é a mais pura verdade.

-Não Frank o momento que você mata alguém você está roubando a vida daquela pessoa.

-Isso não conta doutora, é trapaça sua eu disse a verdade.

-Vou deixar essa passa, me diga um arrependimento.

-Não ter matado meu pai quando tive a chance.

-Xeque, você sente atração por homens?

-Não eu os odeio.

-Xeque, você já me conhecia antes de me contratar?

-Não.

-Xeque mate, você está mentindo.

-Sim você está certa eu já conhecia você antes de vir aqui, eu a encontrei em uma festa a um tempo atrás, mas juro que não sabia quem era você.

-Eu sabia que já tinha visto você em algum lugar, xeque mate Frank.

-Me diga o que você acha da Bíblia Frank.

-Um livro bem escrito como qualquer outro.

-E você já leu alguma vez?

-Quem não leu doutora, é leitura obrigatória, acabou o jogo você não disse xeque.

-Na verdade sim, mas tenho algumas dúvidas a seu repeito.

-Que tipo de dúvida doutora?

-Não sei acho que você não esta me dizendo tudo, você é muito espero.

-Já disse o melhor vou deixar para o final, você vai ficar surpresa com o que vou revelar.

-Não vejo a hora de saber esse grande mistério.

-Você vai saber com certeza, mas deixe eu te dizer algo a respeito do xadrez.

-Me diga algo que eu ainda não sei Frank.

-No xadrez devemos observar nosso adversário como se fossemos nós mesmos, adivinhar o próximo passo, pensar como ele pensa e nos colocarmos em seu lugar, não se trata apenas de estratégia e sim de atenção e paciência. Cada passo, cada olhar e cada gesto mostra o que será feito na próxima jogada, tudo calculado e analisado através de sus olhos, os olhos falam por nós doutora.

-É uma boa análise Frank, acho que você deveria ser terapeuta.

-Obrigado mas essa não é minha área, estou bem onde estou agora. Todo esse papo de xadrez me fez lembrar de um cliente bem incomum.

-E quem é esse cliente Frank, um jogador ou um apostador?

-Um jogador de xadrez e dos bons para ser exato.

-E o que aconteceu com esse cliente, você o matou?

-No inicio não levei ele muito a sério, quando ele me abordou achei que era mais um pervertido como qualquer outro mas depois ele me convenceu. Ele me levou até sua casa em um bairro muito nobre onde gente importante costuma morar. Foi bem educado no começo, senti um certo tipo de empatia por ele e comecei a questionar o real objetivo de estar ali. Ele me perguntou se eu gostava de jogar xadrez e claro que eu disse sim, então perguntou se eu queria jogar uma partida. Eu concordei em jogar com uma condição, após 3 partidas quem ganhasse poderia fazer o que quisesse com o perdedor e ele concordou.

-E quem ganhou Frank?

-Eu ganhei é claro, perdi no inicio mas depois fui mais esperto e consegui entender o seu raciocínio até que ele cometeu erros básicos, foi uma pena pois estava começando a gostar dele.

-E por que você acha que começou a gostar dele, o que te chamou atenção?

-Ele foi um adversário a altura e se mostrou um homem bem simpático, mas eu não estava ali para fazer um amigo e sim para satisfazer o desejo que vive dentro de mim, precisava libertar o monstro e alimentar meu ódio.

-Você usa algum tipo de droga Frank , ou algum tipo de remédio controlado para ansiedade ou sofre algum tipo de bi polaridade?

-Apenas cocaína as vezes, em festas ou antes de reuniões mas por que a pergunta doutora?

-Muitos problemas de atitude e até de mudança de comportamento são relacionados as drogas, só estou tentando fazer uma análise do seu perfil, se você está sob efeito de alguma droga pode alucinar e criar coisas em sua cabeça que não existem.

-Você não está me levando a sério mesmo doutora, o que mais preciso fazer para você acreditar em mim?

-Eu acredito Frank, mas não cheguei a um diagnóstico ainda, mas me diga o que fez com homem do xadrez?

-Eu dei mais uma chance a ele, quando ele acordou estava em minha casa no porão amarrado a uma cadeira, ele se assustou e perguntou onde estava e eu disse que em minha casa, agora ele teria uma última chance de sair vivo, uma pequena charada. Esqueci de mencionar que em seu crânio eu coloquei um aparelho com pontas e duas lâminas de cada lado indo em direção ao seus ouvidos, se ele errar a charada o dispositivo aciona furando seu tímpano, enquanto as pontas furam seu crânio. A pergunta é bem simples e tem a ver com o xadrez.

-E qual era a charada Frank?

-Na verdade eu dei 3 opções para ele com apenas uma chance de acertar, a primeira resposta era xeque a torre mas não mate o rei, a segunda xeque a torre e deixe que eu mato o rei, e a terceira bispo diga ao peão para  checar os aposentos do rei e veja se ele está seguro, entendeu a charada doutora?

-Muito engenhoso de sua parte Frank mas não teria como ele saber, a não ser arriscar um palpite pois esse perguntas não existem no xadrez.

-Correto doutora mas fica mais emocionante você não acha.

 -Acredito que ele não tenha acertado a resposta e você o matou, correto Frank?

-Sim está correto doutora, ele não acertou e pediu muito por mais uma chance mas eu sou um homem de palavra, o final você já sabe.

-E qual era a resposta correta?

-A rainha sempre vai proteger o rei então a mais óbvia seria a terceira você não acha?

-Faz sentido Frank, mas acho que mesmo assim é algo que não tem como saber naquele momento, o medo nos faz perder os sentidos e não raciocinamos direito, pobre homem.

-Foi divertido ver aquela máquina engenhosa fazer meu trabalho, o sangue escorrendo e a expressão de dor em seu rosto aquilo me deu muito prazer.

-Muito cruel da sua parte Frank, mas acho que você está vendo muitos filmes de terror.

-Gosto de ser criativo doutora, não assisto filmes de terror pois minha vida é cheia de fantasmas e eles me assombram todo dia.

Capítulo 4 - O policial

-Você já foi preso Frank?

-Nunca fui preso mas tenho bons amigo dentro da polícia, na verdade eu tinha um cliente que era policial mas ele já não está mais entre nós.

-Como assim Frank você o matou, era um de seus clientes?

-Sim de fato, ele foi por uma noite é claro.

-E esse policial era conhecido seu ou foi apenas uma coincidência.

-Eu não o conhecia doutora, apenas mais um no meu caminho e não ligo para rótulos ou seja quem for é apenas mais um na minha lista de depravados.

-Me diga Frank o que você fez com ele, afinal um policial não pode desaparecer sem que alguém perceba você não acha?

-Existem certos tipos de policiais que ninguém vai sentir falta, os corruptos e aqueles que usam de sua autoridade para se dar bem, e esse indivíduo se encaixa nesse perfil. 

-Eu sei onde você quer chegar Frank, você acha que todas as pessoas são descartáveis não é verdade?

-Nem todas doutora apenas aquelas que não contribuem pra a sociedade, são como ratos de laboratório prontos para serem sacrificados por um bem maior. Você é casada doutora correto?

-Sim eu sou, mas o que minha vida particular te a ver com isso Frank?

-Você vai entender mais para o final da consulta, você é feliz com seu casamento?

-Não preciso responder, você é meu paciente e não sou eu que estou em análise.

-Nossa doutora acho que toquei no seu ponto fraco, vejo que você mudou o tom de voz e ficou sem jeito ao falar de felicidade, será que tem algo acontecendo em casa?

-Chega Frank vamos voltar ao caso do policial, se você continuar com esse joguinho vou ter que encerrar nossa consulta.

-Me desculpe doutora não queria ofender.

-Tudo bem Frank, vamos voltar ao caso do policial, o que aconteceu?

-Eu já estava observando ele a muito tempo, notei que ele era um cliente assíduo nas ruas e sempre aparecia na mesma hora, abordava prostitutas e travestis. E uma certa noite ele me abordou, combinamos o preço e eu o levei até a minha casa, quando entrei no carro ele já me avisou que gostava de usar algemas e outras coisas, eu disse ok e continuamos. Chegamos em minha casa e eu pedi que ele entrasse na garagem com o carro. Não queria deixar pontas soltas, assim que entramos ele tentou me agarrar mas eu recuei e pedi calma, ofereci uma bebida para relaxar e é claro ele aceitou. Coloquei dois comprimidos de sonífero pois ele era uma homem grande e queria ter certeza que ele iria apagar logo. Quando ele acordou estava em uma mesa no meu porão preso com suas próprias algemas, sua cabeça estava presa em um torno, você deve saber como funciona com uma manivela que vai sendo girada e duas prensas pressionam o que estiver entre elas. Ele não podia falar apenas me ver, como gosto muito de praticas cirúrgicas eu costurei a boca dele como fiz em vários outros. Eu comecei a girar a manivela aos poucos e ele começou a se debater e gemer, então eu parei e deixei ele respirar um pouco, eu olhava para ele e perguntava, está tudo bem, você está confortável e ele só gemia, foi bem engraçado no inicio, foi então que girei mais e mais, ele não se mexia mais e seus olhos começaram a saltar e seu nariz, boca e ouvidos começaram a sangrar. Foi então que ouvi um estalo e seu crânio rachou e começou a jorrar sangue como uma cachoeira, seu olhos explodiram ficando uma gosma branca e vermelha, seu maxilar entortou quebrando sua mandíbula, eu apertei mais um pouco até que vi seu cérebro caindo no chão como se fosse carne picada, foi lindo de ver doutora.

-E o que você fez depois disso Frank?

-Eu queimei o corpo e joguei o carro no rio, mas antes disso coloquei fogo e limpei minhas digitais, e guardei as algemas de recordação é claro, uma pequena lembrança do nosso querido policial.

-O que você sente quando comete esses crimes, isso tem a ver com algo sexual ou é apenas algo reprimido pelos anos de abuso na infância.

-Não existe nada de sexual, eu nunca fiz sexo com esses homens e gosto de mulheres, eu já disse a você antes é algo que me faz bem, os homens são criaturas ruins e merecem pagar pelos seus erros, eu faço justiça para aqueles que não podem se defender, que vivem uma vida de abuso e se tornam pessoas sofridas e acabam muitas vezes por acabar com suas próprias vidas, eu sou um exemplo pois se não tivesse saído de casa talvez hoje não estivesse aqui.

-Eu entendo seu ponto de vista mas não justifica matar essas pessoas, temos um sistema judiciário para isso, todos tem direito a um advogado antes de serem levados a uma prisão ou condenados a própria morte, julgados em um tribunal e não em atos de pura crueldade.   

-Não me faça perder a fé em você doutora, eu sempre achei essas pessoas que cuidam da  saúde mental uns charlatões mas você é diferente, então não me faça mudar de ideia a seu respeito por favor.

-Todos temos nossas próprias opiniões Frank e todos devem ser respeitados, se eu penso diferente de você não quer dizer que estou errada, e charlatões existem em qualquer lugar mas eu estudei muito e sacrifiquei muito da minha juventude para estar aqui hoje e ser uma mulher bem sucedida e respeitada entre os profissionais da minha área.    

-Concordo com você doutora, por isso eu escolhi você mas tem algo muito mais especial além de você ser uma mulher incrível, vamos para a próxima fase e que será a mais empolgante até agora. Quero que você conheça a minha última vítima e na verdade você já o conhece de longa data.

-Como assim Frank, eu conheço a vítima?

-Sim doutora, mas deixe eu dizer algo antes.

Capítulo 5 - A revelação (Grand Finale) 

-Nós já nos conhecemos doutora como você disse antes, você sabia que me conhecia de algum lugar e é verdade, da festa de arrecadação do Hospital de Caridade. Eu estava lá naquela noite e vi você com seu marido, também percebi uma certa tenção entre vocês a noite toda, algo estava errado eu percebi.  

-Nós discutimos Frank ele não queria estar ali, eu faço parte da instituição e era muito importante para mim ter seu apoio, mas ele acabou indo embora e não voltou mais desde esse dia. Ele não responde minhas mensagens e não atende o telefone, não vai ao trabalho faz uma semana e estou muito preocupada.

-Ele trabalha com o que doutora?

-Ele é advogado Frank, mas o que isso tudo te a ver com você?

-Tem muito doutora, você vai entender onde quero chegar.

-Não me diga que você...Frank interrompe com um gesto de mãos.

-Calma doutora lembre do nosso acordo, tudo que é dito aqui fica entre médico e paciente pois tenha calma e vou te dizer quem é seu marido de verdade.

-Estou ficando nervosa, preciso de um copo de água.

-Está mais calma doutora?

-Sim pode continuar.  

-Você sabia que o seu marido costumava sair com prostitutas?

-Não Frank, eu não acredito que ele era esse tipo de homem.

-Naquela noite na festa depois que vocês discutiram ele foi embora e eu o segui, ele foi direto para o local onde costumo frequentar, o lugar mais sujo da cidade onde homens de má fé costumam buscar prazeres que não encontram em casa. E ele não perdeu tempo e foi logo saindo com a primeira que viu, é doutora seu marido é cheio de segredos.

-Como assim Frank, onde você quer chegar?

-Eu fiquei sabendo que ele gostava de se passar por mulher quando saia com travestis, se é que me entende...

-Você está me dizendo que ele era gay?

-Não doutora, digamos que ele gostava de ser passivo quando saia com homens.

-Isso é mentira Frank.

-É verdade doutora, eu segui ele por vários dias e ele sempre procurava por prostitutas e travestis e fiquei sabendo que a muito tempo ele frequenta esse local.

-Não acredito estou chocada, você sabe onde ele está Frank?

-Sim eu sei e logo você vai ficar sabendo onde ele está, mas lembre que existem regras e o que eu disser é confidencial, não pode ser dito a ninguém.

-Eu sei mas diga logo, estou começando a ficar nervosa.

-Eu fiquei indo por uma semana ao local onde ele costuma frequentar até que uma noite ele me abordou, foi bem discreto e educado no inicio dizendo que era casado mas estava fora de casa já fazia alguns dias, me disse que não sabia se iria voltar pois tinha muitos segredos e não queria voltar para uma vida que não era dele. Combinamos o preço e eu indiquei um local discreto que eu conhecia, quando entrei no carro ele me perguntou se eu podia fazer o papel de ativo, claro eu disse que sim. Quando chegamos ao local ele ficou meio assustado, era um depósito abandonado a uns 200 metros do cais do porto, ele perguntou por que não fomos a um motel, eu disse que costumava vir a esse local e que era bem discreto. Quando entramos estava muito escuro, apenas  a luz do luar iluminava alguns espaços do local, luz que entrava através de algumas janelas quebradas mas que se fazia iluminar o necessário. Eu pedi a ele que ficasse de joelhos e fechasse os olhos, ele concordou sem problema, em seguida e peguei um pedaço de madeira e bati com força em sua cabeça, ele desmaiou na hora. Está tudo bem doutora, estou vendo que você está com lágrimas nos olhos.

-Estou bem Frank, só não estou acreditando em tudo isso mais parece um pesadelo para mim.

-Fique tranquila eu estou quase no final, como disse após ele desmaiar eu coloquei uma fita em sua boca e amarrei seus braços e pernas em correntes que encontrei no local, ele estava nu e suspenso no ar, esperei ele acordar, quando me viu começou a se debater mas eu pedi a ele calma e que tudo iria acabar logo,  eu disse a ele que iria visitar você em uma sessão de terapia e ele ficou bem nervoso se debatendo sem para. Eu então disse a ele que ficar nervoso só iria dificultar mais as coisa, disse que não faria mal a você, foi então que ele relaxou. Eu costume deixar alguns itens nesse local, coisas que uso com meus clientes e hoje eu tinha algo especial, um arco e flecha de competição muito moderno e preciso, eu costumo treinar no clube que frequento. Ele me olhou com medo nos olhos e começou a gemer algumas palavras, mas é claro eu não entendi nada. Eu coloquei a primeira flecha e mirei em sua perna direita, o som foi um osso quebrado, ele gemeu alto. A segunda flecha eu mirei no lado direito acima do peito, foi certeiro no alvo, acho que estou ficando muito bom nessa modalidade. Ele balançou a cabeça enquanto o sangue escorria em seu peito. A próxima fecha foi destinada a seu pulmão direito e foi um completo estrago, ele começou a sufocar então tive que tirar a fita em sua boca, ele começou a cuspir sangue e não conseguia falar, eu pedi calma e que logo tudo iria terminar, pois eu só tinha mais duas flechas. Eu mirei  a próxima em sua barriga, ela foi tão rápida e quando acertou seu estômago jorrou sangue feito uma torneira aberta, ele não se mexia mais. Meu último ato foi uma flecha direto no coração, ele levantou a cabeça e deu seu último suspiro, eu fiquei olhando para ele e em seguida peguei um galão de gasolina e joguei em seu corpo, em seguida acendi um fósforo e fiquei assistindo ele queimar. Aquele cheiro de carne queimada me lembrou um restaurante que adoro e serve um ótimo file bem passado, sua pele começou a se desprender de seu corpo e a fumaça parecia dançar enquanto saia de seu corpo levando todo o mal que nele existia, agora ele estava puro. Eu embora com seu carro, e depois o joguei no velho rio Woodson, depois fui para casa e tomei um banho, comi algo com uma taça de vinho e fui dormir.

-Eu ainda não acredito Frank, preciso de provas.

-Aqui está o endereço onde seu marido está, vá até lá e veja se estou mentindo. Agora preciso ir doutora mas foi muito bom esses momentos que passamos juntos, eu agradeço pelo seu tempo mas lembre do nosso acordo, tudo que foi dito fica nessa sala. Tenha um bom dia doutora.

-Após Frank sair a doutora Emily cancelou todos os seus clientes da tarde, ligou para a polícia dizendo que recebeu um bilhete anônimo a respeito de seu marido. Quando chegou ao local indicado ficou em choque, Frank dizia a verdade e ela jamais iria esquecer daquele dia em que ficou algumas horas frente a frente com o homem mais cruel que ela conheceu em sua vida, ela jamais iria esquecer dele e de todo mal que ele confessou a ela. Sua vida nunca mais seria a mesma, seus sonhos agora eram pesadelos e ela não podia fazer nada, apenas aceitar a verdade dos fatos.

Fim

  

   

  

-





 

 

   


 


                                     No rastro da serpente - Um caso de Eddie Mase   Capítulo 1 - Veneno de cascavel   O Sr. Harris havia mo...